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O Brasil não nasceu para sustentar promessas (por Luiz Alberto Cureau Júnior)

O Brasil também precisa saber aonde quer chegar e sustentar esse caminho por mais tempo [...]

Normalmente não uso meu espaço para falar de eleições, apesar que somos seres políticos. Não sou partidário, mas sou político por natureza, e em próximo domingo estamos novamente com o poder de promover uma mudança ou manter o “status quo”.


Uma família planeja o futuro dos filhos. Uma empresa investe pensando nos próximos anos. O Brasil também precisa saber aonde quer chegar e sustentar esse caminho por mais tempo.
Discutimos muito quem conduzirá o país e pouco o que precisa ser feito com quais recursos. A conversa se perde entre nomes e slogans, enquanto os problemas seguem esperando solução.


A boa política aparece na vida concreta, na criança que aprende, no trabalhador que volta para casa em segurança, no empreendedor que consegue produzir e no paciente atendido quando precisa. É nessas entregas que um governo demonstra seu valor. Esse que está aí seguramente não tem feito nada disso.


A alternância de poder é saudável. Renova ideias, permite corrigir rumos e lembra a quem governa que sua passagem tem prazo. Ninguém deve confundir a permanência com o interesse nacional.


Mas a mudança precisa alcançar os métodos. Trocar nomes e conservar desperdícios, privilégios e cargos distribuídos por conveniência pouco oferece ao cidadão. Renovação exige competência e responsabilidade.


Também precisamos aprender a preservar os acertos. Uma escola bem administrada, uma obra necessária ou um projeto estratégico não podem ser abandonados para apagar a marca de quem veio antes. O patrimônio é público. A conta do recomeço também.


Na defesa, na ciência, na infraestrutura e na formação de pessoas, os resultados exigem anos. Interromper esse esforço por vaidade custa recursos, conhecimento e oportunidades. Um país avança quando transforma boas decisões em compromissos duradouros.


Isso começa pelo respeito a quem trabalha e pelo cuidado com o dinheiro que sustenta o Estado. Cada despesa precisa ter propósito. Cada função exige preparo. Cada promessa precisa de alguém que responda por sua execução.


O mérito deve orientar escolhas, com oportunidades reais para que brasileiros desenvolvam suas capacidades. Há talentos perdidos por falta de ensino e orientação. Esse desperdício também empobrece o país.


Precisamos de coerência na cobrança. O que condenamos em um adversário deve ser condenado em alguém que admiramos. Quando a exigência muda conforme a simpatia, deixamos de defender princípios e passamos a proteger pessoas.


A responsabilidade pelo Brasil alcança quem governa, fiscaliza, empreende, ensina e forma as próximas gerações. Cada um tem deveres que não pode transferir aos outros.


Podemos discordar dos caminhos e exigir competência, honestidade e resultados. O debate precisa ajudar a resolver problemas, com disposição para reconhecer acertos e corrigir erros.


Que os governos se alternem. Que os projetos úteis tenham continuidade. E que cada gestão entregue à seguinte um país melhor do que recebeu.


Luiz Alberto Cureau Júnior
General do Exército Brasileiro da reserva
Consultor em Defesa e Clima

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