Eleição Presidencial Brasileira 2026 (por VanDyck Silveira)

As pesquisas diretas ainda colocam Lula à frente de Flávio Bolsonaro. Entretanto, a distância do primeiro turno [...]

Do retrato das pesquisas ao comportamento provável no segundo turno

NOWCAST ESTRUTURAL – CENÁRIO CENTRAL

Lula 50,6% x Flávio Bolsonaro 49,4%

Estimativa em votos válidos, condicionada à consolidação de transferências entre turnos. Não é pesquisa eleitoral.

Resumo executivo 

As pesquisas diretas ainda colocam Lula à frente de Flávio Bolsonaro. Entretanto, a distância do primeiro turno não deve ser projetada mecanicamente para o segundo. Nas últimas cinco eleições presidenciais brasileiras, em quatro ocasiões o candidato que estava atrás reduziu a diferença no runoff; 2006 foi a grande exceção.

O ponto decisivo em 2026 é a composição do eleitorado hoje distribuído entre Renan Santos, Ronaldo Caiado e Romeu Zema. No AtlasIntel de 22-27 de julho, esse bloco soma 13,7%. O modelo central deste relatório atribui aproximadamente 78% desse bloco a Flávio, 10% a Lula e 12% a abstenção/branco/nulo. Com normalização de indecisos e inválidos, o cenário estrutural converge para uma disputa próxima de 50/50.

Fonte: AtlasIntel, levantamento nacional de julho de 2026. Percentuais reproduzem a base utilizada no modelo.

1.     O que as últimas cinco eleições ensinam

A transferência entre turnos não é uniforme. Ela depende da proximidade ideológica dos candidatos eliminados, das alianças, da rejeição aos finalistas e da capacidade de mobilização. O padrão agregado, porém, mostra que a vantagem do primeiro turno frequentemente se comprime no segundo.

EleiçãoDiferença 1º turnoDiferença 2º turnoLeitura
2006Lula +7,0 ppLula +21,7 ppExceção: Lula ampliou fortemente
2010Dilma +14,6 ppDilma +12,1 ppSerra reduziu a diferença
2014Dilma +8,0 ppDilma +3,3 ppAécio reduziu ~4,7 pp
2018Bolsonaro +17,1 ppBolsonaro +10,3 ppHaddad reduziu ~6,8 pp
2022Lula +5,2 ppLula +1,8 ppBolsonaro reduziu ~3,4 pp

 

 

2022 é o precedente mais relevante 

No segundo turno de 2022, Lula terminou com 60.345.999 votos (50,90% dos válidos) e Jair Bolsonaro com 58.206.354 (49,10%). O TSE registrou 118.552.353 votos válidos e abstenção de 20,59%. Pela primeira vez nas últimas oito eleições, o comparecimento foi maior no segundo turno. Isso reforça que mobilização e transferência podem alterar substancialmente a margem observada no primeiro turno.

2.     Modelo de transferência para 2026

A projeção não soma mecanicamente os votos de candidatos eliminados ao percentual de Flávio. O procedimento separa três destinos: voto em Flávio, voto em Lula e saída do universo de votos válidos por abstenção/branco/nulo. O cenário central é uma hipótese comportamental calibrada pelo histórico recente e pela posição ideológica do bloco.

Origem no 1º turno® Lula® Flávio® não-voto válido
Eleitor de Lula96-98%1-2%1-3%
Eleitor de Flávio1-2%97-98%1-2%
Renan Santos7-10%78-82%10-15%
Ronaldo Caiado10-15%72-78%10-15%
Romeu Zema7-12%78-83%8-15%
Esquerda menor75-85%3-7%10-20%
Centro / outsiders30-40%35-45%20-30%

Hipótese central para o bloco Renan + Caiado + Zema

Bloco no Atlas13,7%
Migra para Flávio78% do bloco » 10,7 pp
Migra para Lula10% do bloco » 1,4 pp
Branco/nulo/abstenção12% do bloco » 1,6 pp

O gráfico é uma análise de sensibilidade, não uma medição observada. O resultado depende da taxa efetiva de transferência.

3.     Brancos, nulos, abstenção e mobilização

Entre primeiro e segundo turnos, parte do eleitorado de candidatos eliminados escolhe um finalista, parte deixa de comparecer e parte vota branco ou nulo. Ao mesmo tempo, alguns eleitores que haviam votado branco/nulo passam a escolher um candidato. Portanto, a mudança do denominador dos votos válidos é parte do fenômeno eleitoral.

EleiçãoBrancos+nulos 1ºBrancos+nulos 2ºAbstenção 2º
20068,4%6,0%19,0%
20108,6%6,7%21,5%
20149,6%6,3%21,1%
20188,8%9,6%21,3%
20224,4%4,6%20,6%

Hipótese de trabalho para 2026: brancos+nulos efetivos em torno de 5,5-6,5% dos votos depositados e abstenção em torno de 20,5-21,5%.

4.     Fotografia atual versus projeção estrutural

A pesquisa direta de segundo turno deve receber peso elevado porque pergunta explicitamente ao eleitor o que faria num confronto Lula-Flávio. O modelo estrutural serve para testar quanto essa fotografia poderia mudar depois de um primeiro turno real, endorsements, campanha de runoff e consolidação ideológica.

Instituto / levantamentoLulaFlávioLeitura
AtlasIntel (jul.)49,2%42,9%Lula à frente; restante indeciso/inválido
BTG/Nexus (10 ago.)47%44%Empate técnico na margem
Palver (3-7 ago.)46%46%Empate; metodologia online
FOTOGRAFIA DAS PESQUISASPROJEÇÃO ESTRUTURAL CENTRAL
Lula ainda lidera50,6% x 49,4%
Os levantamentos diretos recentes variam de empate a vantagem de Lula.Lula +1,2 pp nos votos válidos, sob a hipótese central de transferência.

Conclusão 

Lula é o favorito na fotografia atual, mas a corrida é estruturalmente mais competitiva do que a diferença do primeiro turno sugere. O limiar decisivo é a consolidação do eleitorado de Renan, Caiado e Zema. Abaixo de aproximadamente 70% de transferência para Flávio, Lula mantém vantagem confortável; na faixa de 75-80%, a eleição se aproxima de um empate; acima de 80%, a vantagem de Lula pode desaparecer. O resultado final dependerá também da mobilização relativa dos dois campos e da conversão de indecisos e votos inválidos.

Interpretação: este relatório é um exercício de modelagem de comportamento eleitoral, não uma pesquisa registrada nem uma previsão determinística. As taxas de transferência são hipóteses sujeitas a atualização quando novos cross-tabs e pesquisas de segundo turno forem publicados.

VanDyck Silveira, Ph.D
Diretor de Estratégia e Expansão Global da UCAM
Comentarista de Economia e Política na BM&C News

Fontes e referências

Tribunal Superior Eleitoral (TSE): resultados e estatísticas das eleições de 2006, 2010, 2014, 2018 e 2022; AtlasIntel: pesquisa nacional de julho de 2026; BTG/Nexus: pesquisa divulgada em 10 de agosto de 2026; Palver: levantamento de 3-7 de agosto de 2026. Dados recentes foram conferidos em 13 de agosto de 2026.

Nota metodológica: diferenças históricas são apresentadas em pontos percentuais e arredondadas. Percentuais de brancos+nulos referem-se aos votos depositados. O cenário central 50,6% x 49,4% é uma estimativa própria condicionada às hipóteses descritas no texto.

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