
“O Brasil é uma terra de amores
Alcatifada de flores
Onde a brisa fala amores
Em lindas tardes de abril
Correi pras bandas do sul
Debaixo de um céu de anil
Encontrareis um gigante deitado
Santa Cruz, hoje o Brasil”
(Carlos Lyra)
Sobre a nossa economia, não precisamos nem falar. O nosso PIB patina em US$ 2,2 trilhões desde 2010, enquanto o mundo voa.
Sobre a nossa política, nada a falar. Uma tragédia ambulante, com uma polarização destituída de valor, onde o eleitor vota, conforme as pesquisas, somente no menos pior.
Mas somos um país ufanista, alegre perante o adverso, e torcemos pela Seleção Brasileira de Futebol, a cada 4 anos, sem nada em troca. Poucos mitos nos abastecem.
É verdade que já não tempos um grande time, o mundo mudou. Os 3 países que mais ganharam copas não estão mais nessa Copa: a Itália com 4 estrelas não se classificou; a Alemanha com 4 estrelas saiu na fase dos grupos; e o Brasil com 5 estrelas cai nas 8as de final.
Mas o Brasil tem o dom adicional de estragar tudo ainda mais! A junção da Política no Brasil com a CBF, e o improviso, imperam, com Ancelotti sendo contratado às vésperas da Copa, fatídico. E Ancelotti, cá para nós, não essa “Brastemp” que se fala. Acostumado a grandes times, onde já encontra os jogadores prontos, não arrisca usualmente no novo, mas na possível melhoria do existente nos clubes.
Assim como na política, e na economia, a estrutura de poder no futebol é também piramidal. Somente tem lugar para o número 1 no ponto geométrico mais alto da pirâmide. E como dizia Georg Simmel em “Philosophie des Geldes”, ou “A filosofia do dinheiro”, o liderado precisa de um líder para que abra a mão de sua responsabilidade da ação social. Quem manda não são sempre os melhores. A estrutura de poder é invertida, não necessariamente meritória, em sua boa parte.
Outra coisa que vai de mal a pior é a nossa Seleção Masculina de Vôlei. Falo com propriedade, joguei muito vôlei de praia na Monte Negro no Rio de Janeiro nos anos 60 e 70, vendo o vôlei brasileiro nascer. Fui parceiro do Wantuil, que veio a ser técnico da Sandra e da Jaqueline na primeira medalha feminina de ouro nas Olimpiadas de Atlanta em 1996.
No vôlei feminino vamos bem, com o exímio José Roberto. No masculino, com Bernardinho, não vamos bem. Na Liga das Nações, no feminino estamos hoje em 2º lugar, atrás dos Estados Unidos. No masculino, estamos em 9º lugar, para um país que tantas vezes seguidas foi campeão. Na minha opinião, Bernardinho, um dos grandes do nosso vôlei passado, já não desempenha como desempenhava. Dos 30 jogadores originalmente convocados, somente 3 são do Cruzeiro, time com 5 Mundiais de Clubes, 11 Sul-Americanos, 10 Superligas, 8 Copas Brasil, 6 Supercopas, ganhando do Campinas na última final da Superliga de 3 x 0.
Após ganhar o pré-Olímpico de 2020 com Carlos Schwanke e ficar em 4º nas Olimpiadas de Tóquio em 2021 com Renan, nas Olimpiadas de 2024 o Brasil ficou em 8º lugar com o Bernardinho, o pior resultado desde 1972 para a Seleção Brasileira de Vôlei. Temos vôlei para jogar.
Tome cuidado, Brasil, olhe para os seus filhos!
Ricardo Guedes



