As apostas esportivas viraram febre. E, como toda febre, já começa a revelar seus efeitos colaterais. O problema agora não é apenas o vício de quem aposta, mas a confiança em quem recebe o dinheiro.
Um apostador carioca resolveu testar a sorte numa partida da NBA, em fevereiro do ano passado. Fez 12 apostas combinadas, desembolsou R$ 11 mil e viu, durante o jogo, seus palpites caminharem para um prêmio de quase R$ 25 mil.
Foi justamente aí que a sorte mudou de lado.
A Suprema Bet, plataforma de cassino online e apostas esportivas do grupo Suprema, cancelou os palpites ainda em andamento e devolveu apenas o valor investido. Alegou que a medida servia para preservar a “lealdade contratual”. Tradução: enquanto o cliente perdia o contrato parecia ótimo. Quando começou a ganhar, a tal lealdade resolveu entrar em quadra.
A explicação não convenceu o 18º Juizado Cível de Campo Grande (RJ). O órgão condenou a empresa brasileira a pagar R$ 20 mil ao apostador. Apenas um dos pitacos, com odd de 11.0, ficou de fora da indenização porque a plataforma reconheceu erro na cotação. Nesse caso, os R$ 500 foram devolvidos.
Em um mercado que movimenta bilhões de Reais e cresce sem parar, confiança deveria ser regra, não exceção. Afinal, palpite já envolve risco suficiente. O cliente não pode ter de apostar também na honestidade da banca.



