Há decisões administrativas que deixam de ser apenas burocráticas e passam a ser uma questão de humanidade.
A semana começa sob forte tensão na Conab. A estatal decidiu retirar dos novos concursados o acesso ao serviço de assistência à saúde, enquanto os empregados antigos permanecem cobertos pelo benefício, arcando com parte dos custos de consultas e internações.
A indignação ganhou outra dimensão depois da notícia de que uma servidora recém-admitida, grávida, teria enfrentado dificuldades para conseguir atendimento na rede pública de Mato Grosso na semana passada e acabou falecendo. O caso ainda precisa ser plenamente esclarecido, mas, independentemente das circunstâncias, escancarou um ambiente de profundo desconforto entre os funcionários.
A pergunta é inevitável: qual a lógica de uma mesma empresa criar categorias de trabalhadores com direitos tão distintos? Se todos ingressaram por concurso público e servem à mesma estatal, é difícil justificar que alguns tenham acesso à assistência à saúde e outros não.
Empresa pública não pode funcionar como condomínio de privilégios. Ou a política de benefícios vale coletivamente, ou alguém terá de explicar por que existem empregados de primeira e segunda classe dentro da mesma Conab.



