Nesta terça-feira, o Conselho Nacional da Previdência Social se reúne e não vai debater os juros do consignado do INSS. Falta consenso no órgão formado por representantes do Governo Federal, empresários e trabalhadores.
Enquanto isso, aposentados e pensionistas seguirão pagando a conta de um crédito que nunca foi barato – e ficou mais pesado com o passar do tempo. A média de juros bateu 24% ao ano nos últimos meses. Para quem vive de benefício, não é empréstimo. É aperto.
Os números ajudam a explicar o mau humor nacional. Segundo o Banco Central, as famílias já comprometem 29% da renda com dívidas – o maior nível em duas décadas. É quase um terço do salário, indo embora antes mesmo de chegar.
Em tese, quando o BC baixa a Selic – caiu de 15% para 14,75% em março – o CNPS vem atrás, reduzindo o teto do consignado. Mas, na prática, o filme travou no meio. A taxa máxima está em 1,85% ao mês (acima da inflação) como se nada tivesse mudado.
No Palácio do Planalto, a ficha caiu – especialmente porque o calendário eleitoral não perdoa. Descobriram que emprego melhorando, inflação mais comportada e pobreza em queda não bastam quando o brasileiro está afogado em parcelas. Faltou o básico: orientação. Em vez disso, muita gente entrou na ciranda para pegar um empréstimo e pagar outro, num ambiente de juros ainda altos. Resultado: o alívio virou bola de neve.
Agora a conta chegou. E como toda dívida mal feita, vem com juros.



