
O Brasileirão 2026 foi interrompido após a disputa de sua oitava rodada em razão da última Data FIFA, na qual as seleções classificadas fazem seus últimos ajustes para a Copa, em vários amistosos. E também serão definidas, na repescagem, as últimas vagas para o Mundial.
Ainda é cedo, muito cedo para uma avaliação mais completa sobre o destino dos 20 participantes do Campeonato Brasileiro, mas os oito jogos que cada time já disputou fornecem uma amostra, mesmo superficial, do que é possível analisar sobre alguns concorrentes.
Dos três primeiros colocados da competição do ano passado, Flamengo e Palmeiras seguem bem superiores a todos os demais, enquanto o Cruzeiro surpreende pela impressionante queda técnica.
O Flamengo oscilou nos primeiros jogos do ano e até ganhou uma crise que o levou a trocar o treinador Felipe Luís, campeão do ano passado (Libertadores e Brasileiro), pelo ex-cruzeirense Leonardo Jardim.
Mas, nem por isso o Fla viu (ou vê) ser rebaixada a sua condição de o mais cotado, entre todos os clubes brasileiros, para ganhar uma penca de títulos, fruto da incontestável qualidade técnica do seu elenco, com larga vantagem sobre os demais.
O Palmeiras, que lidera o Brasileirão (apenas oito rodadas), segue as características de qualidade em relação ao Flamengo e a exemplo do time do Rio, também se coloca em plano superior aos outros participantes. Certamente, vai duelar com o Fla na busca pelos principais títulos da temporada. Tem em Abel Ferreira um comando técnico excelente.
O Cruzeiro, que estava cotado para ser melhor ainda em relação ao que foi na temporada passada, ficou sem o técnico Leonardo Jardim (hoje no Flamengo) e perdeu um tempão ao contratar Tite, que desde a chegada ao clube era contestado pela torcida.
O Cruzeiro planejou mal. Tite já havia fracassado no Flamengo e a CBF desperdiçou oito anos (duas copas do mundo) dando-lhe o comando da seleção, na qual fez um trabalho sofrível. Além disso, a diretoria do clube mineiro gastou milhões com um único reforço qualificado (Gerson) e ainda precisa de mais uns quatro. Buscou um técnico de renome, Artur Jorge, agora para tentar a Libertadores e a Copa do Brasil. No Brasileirão está na lanterna, mas terá ainda 30 jogos, valendo 90 pontos, para tentar se salvar.
O Botafogo, por sua vez, vive suas intermináveis crises. Desde que ficou sem o português Artur Jorge (agora no Cruzeiro), que levou o time ao título da Libertadores em 2024, não teve paz. A diretoria aproveitou o último fim de semana e fez o esperado: demitiu o técnico Martín Anselmi, que deixou o Botafogo na zona de rebaixamento no Brasileirão. Situação difícil.
Incertezas também são carregadas pelo Atlético MG no Campeonato Brasileiro. O Galo correu riscos sérios de rebaixamento nas duas últimas temporadas. Em boa hora, demitiu o confuso e mal-humorado técnico Jorge Sampaoli e agora todas as fichas no argentino Eduardo Dominguez.
Entre os outros grandes, o time que vem aparecendo bem é o Fluminense, treinado pelo argentino Luis Zubeldia e em 3º lugar, fazendo campanha razoável. O São Paulo, atual vice-líder, tem um problema sério: baixa credibilidade quanto ao seu potencial. Semelhante ao Corinthians.
Pelo que se pode analisar no atual momento do Brasileirão, fortes mesmo só dois: Flamengo e Palmeiras. Os outros correm atrás.
Erasmo Angelo é Jornalista. Foi Redator de Esportes e Colunista do jornal Estado de Minas, Redator do Jornal do Sports/MG, apresentador e produtor na TV Itacolomi, TV Alterosa e Rádio Guarani. Foi presidente da ADEMG – Administração de Estádios do Estado de Minas Gerais, editou a Revista do Cruzeiro. Formado em História pela PUC/MG. Autor



