Neste mês de março, foi assinado tratado entre os Estados Unidos e o Paraguai, no âmbito do “Status of Forces Agreement (SOFA)”, que permite a presença temporária de militares, tropas e equipamentos bélicos americanos no Paraguai, com o objetivo de combate ao narcotráfico e ao terrorismo, principalmente na Fronteira Tríplice do Brasil, Argentina e Paraguai.
O Governo Trump já declarou grupos de narcotráfico da Venezuela e da Colômbia como terroristas, o que permite, em tese, a ação militar dos Estados Unidos em terras estrangeiras.
No Brasil, nossa jurisprudência diferencia entre o narcotráfico e o terrorismo, narcotráfico como de natureza criminal e terrorismo como de motivação política.
Os Estados Unidos também se posicionam ao norte da América do Sul, na Guiana e na Venezuela, na expansão da “Doutrina Donroe”, em uma variação da Doutrina Monroe, da prevalência dos Estados Unidos sobre as Américas.
Pode ser que as intenções se voltem somente a aspectos criminais, mas é bom lembrar que o Brasil, dentre outros ativos naturais, detém 23% das reservas mundiais de terras raras, o segundo mais importante ativo, após o petróleo, das economias mundiais – a China em primeiro lugar com 41% das reservas mundiais de terras raras, Brasil 23%, Índia 6%, Rússia 4%, os Estados Unidos com menos de 1%. O Brasil ainda detém outros importantes ativos naturais, como água, extensão de terras, agricultura e minerais, e renovação do ar.
O Brasil continua a tratar a defesa como despesa em seu orçamento, e não como uma estratégia para a sobrevivência no novo mundo que já vem. Não que uma nova estratégia tenha por base os Estados Unidos, de maneira geral, mas da nova geopolítica mundial na presença de recursos naturais cada vez mais escassos.
Complicações futuras?
A ver.



