COLUNA RONALDO HERDY

Quando a vigilância falha, a dúvida toma conta

Ao autorizar a transferência do banqueiro Daniel Vorcaro, o ministro do STF, André Mendonça, fez questão de deixar um recado: vigilância severa. Não foi excesso de zelo – foi memória recente.

Horas depois de um preso ligado ao caso Master, Luiz Phillip de Moraes Mourão, o “Sicário”, morrer sob custódia na Polícia Federal em Belo Horizonte, mesmo em uma cela que, segundo informações iniciais, era monitorada por câmeras, o mínimo que se espera é cuidado redobrado.

A Polícia Federal abriu inquérito. Também instaurou processos internos. Tudo certo no protocolo – e lento na resposta. Porque no Brasil, a investigação anda, mas explicação costuma ir a pé.

Qualquer novo “incidente” envolvendo Vorcaro não será só um fato policial. Mas combustível para teorias conspiratórias num país já vacinado contra versões oficiais mal explicadas.

No fundo, a história é simples: quando o Estado falha em vigiar, o público passa a desconfiar. E confiança, uma vez perdida, não tem habeas corpus que resolva.

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