A Sabesp já colocou o pé na porta de Minas. Planeja disputar à vera a privatização da Copasa – a empresa que leva água a três de cada quatro cidades mineiras.
A ideia é dar um banho de mercado na estatal: transformá-la numa “Corporation”, dessas que não têm dono definido, mas possui muitos interesses para equilibrar. Na teoria, a conta fecha com eficiência, investimento e meta de universalização de água e esgoto em 637 cidades atendidas.
Na prática, o roteiro é o de sempre: promessa de serviço melhor, tarifa sob vigilância, cortes nos “gatos” e o velho argumento fiscal. Parte do dinheiro da venda pode ajudar a enxugar a dívida de Minas com a União – um rombo na casa dos R$ 180 bilhões.
O governador Romeu Zema deixou o cargo neste último domingo, mas apostou na privatização como uma de suas bandeiras de gestão. Resta saber se, depois da operação, a água vai chegar mais limpa na torneira e o esgoto diminuir de correr sem tratamento por ruas e riachos – ou se a discussão continuará turva no bolso dos consumidores.
Porque no Brasil, quando o assunto é saneamento, a pergunta não é só quem paga a conta. É quem, de fato, resolve o problema.



