COLUNA RONALDO HERDY

Cancelar virou peça de ficção?

Ligada ao Ministério da Justiça e da Segurança Pública, a Secretaria Nacional do Consumidor não anda fazendo jus ao nome. No papel, defende o cidadão. Na prática nada muda – especialmente diante da via-crúcis imposta aos assinantes de tv paga que resolvem exercer o direito de cancelar o serviço.

Cancelar, aliás, virou prova de resistência. Nos menus eletrônicos das operadoras, há opção para comprar pacote, turbinar a assinatura, ouvir promoção e até falar com um robô entediado. Para sair do negócio, não. Essa tecla simplesmente não existe ou funciona. É como se o contrato fosse vitalício – só falta herança.

E se o consumidor consegue quase como um milagre falar com um atendente, anunciando a decisão de cancelar a assinatura, acontece o fenômeno sobrenatural: a ligação cai. Diante desse roteiro conhecido, repetido e denunciado há anos, a pergunta é simples: a Senacon vai agir ou seguir no papel de figurante bem-comportado? Em defesa do consumidor, silêncio também é escolha.

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