
No atual intervalo do Brasileirão, que vai até 21 de julho e provocado pela disputa da Copa do Mundo, a CBF tomou uma decisão que ficou meio que perdida no volumoso noticiário da mídia sobre o Mundial: ela trocou o comando da arbitragem do futebol brasileiro, setor alvo de tremendas e constantes críticas de dirigentes, treinadores, jogadores, imprensa e torcedores. Enfim, de todos os que vivem o mundo do nosso futebol.
Quem assumiu agora o cargo de chefão dos juízes é o ex-árbitro Sandro Meira Ricci, que carrega no currículo o orgulho de ter apitado jogos em duas copas (2014 e 2018), várias libertadores e, por aqui, todas as competições promovidas pela CBF. Mas, deixou também polêmicas por atuações bem complicadas. Trabalhou por um tempo como comentarista da Globo.
Não se ouviu falar, a mídia não informou e nem a CBF relatou se o Meira Ricci já assumiu o seu novo serviço no comando da arbitragem ou se já trabalha com seus comandados na difícil tarefa de fazer deles juízes de melhor qualidade. Sandro vai dirigir os 72 nomes do quadro nacional, integrado por árbitros de campo, assistentes e do VAR.
Não é tarefa fácil. Seu antecessor, Rodrigo Cintra, tentou mas complicou-se com problemas e críticas que a cada rodada do Brasileirão se avolumavam, gerando a insatisfação que culminou com sua natural demissão.
Sandro Meira Ricci vai ter que mostrar serviço. E rápido.
Diante das mudanças nas regras que vigoram, com sucesso, na Copa do Mundo, o futebol ganhou em dinâmica com a redução da incrível perda de tempo que se verificava nas cobranças de laterais, tiros de meta, substituições, atendimento dentro do gramado, ceras de jogadores em quedas no campo e dos goleiros na reposição da bola, impedimento semiautomático, tudo isso agora acompanhado de punições imediatas que amedrontam jogadores e treinadores.
No primeiro mundo do futebol, o do Brasil certamente figura na liderança dos que mais praticam esse antijogo. Partidas recentes do Brasileirão, que é um dos campeonatos mais difíceis do mundo, chegaram a ter, em um tempo regulamentar de 45 minutos, apenas 25 minutos de bola efetivamente em jogo. Os 20 min restantes foram consumidos com irritantes demoras provocadas por juízes, jogadores e VAR.
As elogiáveis alterações nas regras, que vigoram na Copa, estarão valendo para todos os países após o Mundial. Meira Ricci precisa atuar, urgente, junto aos seus árbitros para instruí-los rigidamente e com precisão sobre as mudanças.
E Ricci precisa orientá-los, principalmente, a aplicar as novas regras sem nenhum temor das lamentáveis pressões dos grandes clubes brasileiros sobre a arbitragem, o que também é uma triste rotina no nosso futebol. Contudo, diante dos antecedentes, é possível prever, também, que a tarefa dele não vai ser nada fácil.
Erasmo Angelo é Jornalista. Foi Redator de Esportes e Colunista do jornal Estado de Minas, Redator do Jornal do Sports/MG, apresentador e produtor na TV Itacolomi, TV Alterosa e Rádio Guarani. Foi presidente da ADEMG – Administração de Estádios do Estado de Minas Gerais, editou a Revista do Cruzeiro. Formado em História pela PUC/MG. Autor




