
A sucessão mineira, com a eleição de Governador vencida pelo Senador Cleitinho, com mais de 55% dos votos no primeiro turno, começa a ter suas tratativas de transmissão com fatos e acontecimentos surpreendentes e inesperados. Para não dizer, lamentáveis. Uma semana após as eleições o ainda governador, manda à Assembleia Legislativa novo orçamento, aumentando o déficit orçamentário previsto de 2027 para 10,5 bilhões, valores acima da receita prevista de 144,9 bilhões de reais. Este novo valor não era conhecido antes das eleições? É mera coincidência ou é o que o Governador eleito, em discurso no Senado, chamou de “sacanagem comigo”? Já as renuncias fiscais, em 2027, estão previstas em 25 bilhões, beneficiando AMBEV, Souza Cruz, Eletrozema e outras grandes empresas. É Robin Wood ao inverso, tira dos pobres e entrega aos ricos.
No apagar das luzes do atual mandato apresenta projeto, na ALMG, de redução do IPVA, um dos compromissos de campanha do novo Governador, além de prometer nomear mais 3.200 funcionários concursados, aumentando despesas e a folha de pagamento. Seria uma revanche? Ou seja, na campanha a gestão, dos oito últimos anos, era apresentada, pelo candidato e governador Mateus, como uma vitrine de excelência, merecedora de continuidade e credora do voto dos mineiros.
Passadas as eleições, 8 dias, a verdade revelada é muito diferente – o estado está realmente quebrado. Os sinais, aparentes, sempre deixaram transparecer que, os últimos oito anos de governo, foram iguais, ou pior, aos que sempre criticou, a gestão Pimentel. Não cortaram despesas, não pagaram a dívida do estado, não implantaram novos métodos de gestão de crise e deixaram correr o tempo ao sabor das ondas e da irresponsabilidade. Só que agora, não tem liminar. Estradas abandonadas, saúde com filas intermináveis, segurança questionável, apesar da melhor Polícia Militar do Brasil. Viaturas de Polícia Civil sem combustíveis para circularem, além de sua total desatualização tecnológica e estrutural. A educação e salários dos professores defasados e desrespeitados, estavam sob o comando de uma secretária importada do Rio de Janeiro, como se Minas Gerais não tivesse profissionais de alto e melhor nível para exercer tais funções.
Na secretaria da fazenda também importaram outro responsável, desconhecedor de Minas, de nossas características econômicas regionais e dos mineiros. A principal empresa de Minas, a estatal CEMIG, de igual forma, foi entregue a um profissional paulista, um fato inédito em sua história. E, assim, tantas e tantas nomeações importantes que menosprezaram os mineiros, em favor de nada melhores profissionais forasteiros.
Zema e Mateus não se preocuparam com uma dívida de 80 bilhões, utilizando de liminares conseguidas pelo governo Pimentel, no Supremo Tribunal Federal, para não pagar, permitindo que chegasse a valores atuais de quase 200 bilhões de reais. Ficarão na história de Minas Gerais como os causadores do maior rombo financeiro do estado em todos os tempos. Ainda assim receberam bilhões de reais como indenização ao estado, pelas dores e mortes causadas pela mineradora Vale, e a questionável destinação dos recursos aplicados.
Em nome de transparência, como se fosse um fato de alto relevo e inédito no país, o atual governador montou uma estrutura mediática onde ele, naturalmente, será o protagonista e senhor das atenções, utilizando versões para enaltecer seus feitos, como se a verdade dos fatos permitisse louvações. Claro, isto depois de voltar de sua viagem à China, Turquia e Reino Unido, tão necessária quanto chover no molhado.
Ao novo Governador resta a mágica de tirar coelhos da cartola e enfrentar de frente o desmando acontecido nos últimos oito anos.
Nestor de Oliveira é Jornalista e Escritor



