
O Rio de Janeiro é a famosa cidade maravilhosa, cheia de encantos mil, como diz a música de André Filho, uma marchinha composta para o carnaval de 1935 e que se tornou o hino oficial da cidade.
O Rio de Janeiro, sempre foi admirada por todo o planeta e a sua beleza desperta curiosidades e encanto para quem tem a felicidade de conhecê-la e é motivo de orgulho para os filhos teus e dos demais conterrâneos.
Mas nem tudo são rosas, verdes ou verde rosa. Nas questões administrativas, esse grande monumento da humanidade, tem sofrido reveses complicados e intermináveis durante a sua bela existência.
Já nos anos 1900, o “infeliz” do prefeito da cidade, um tal de Pereira Passos, nunca mais esqueci o nome desse “pulha”, pediu a polícia para expulsar os moradores que vieram para ajudar a construir a cidade e estavam “enfeiando” o local, morando nos cortiços, casas velhas… no centro da cidade, e a ideia dele era que essas pessoas voltassem aos lugares de onde vieram para que ele pudesse abrir belas avenidas na cidade, imitando a urbanização de Paris.
Os moradores, que vieram para o Rio de Janeiro que, na época, era a capital federal, ficaram desolados com tal ordem do déspota da vez. Eram pessoas do norte, nordeste do Brasil, das Minas Gerais… naqueles caminhões chamados de “paus de arara”, aqueles mesmo que trouxeram muita gente que viriam a ser muito importantes para o nosso pais. Uma viagem muito dura naqueles veículos, sentados sobre madeiras, tomando vento no rosto pelas estradas de terra esburacadas por mais de trinta horas, quando não muito mais.
Aquilo foi um grande acinte para com os trabalhadores que resolveram, ao invés de voltarem para as suas origens que seria muito sacrifício, procuraram as encostas da cidade para montar os seus barracos. Nesses espaços havia uma árvore chamada “Favela” que, em sua homenagem, se tornou o nome de tais comunidades.
Atualmente, existem milhares na cidade sendo que algumas tem mais de duzentos mil habitantes, como a Rocinha.
Felizmente, nesses locais proliferaram cidadãos de bem, trabalhadores, mas que, infelizmente, a burguesia preconceituosa desse país, os tratam como marginais, numa infeliz concepção, já que só uma minoria dos moradores desses locais, fazem parte desse conceito. Aliás, além dos trabalhadores dignos, nessas comunidades brotaram Mestre Salas, Porta Bandeiras, Compositores, Cantores…, uma infinidade de Sambistas que fazem o espetáculo maior desse país, o Carnaval.
Claro que tem um pequeno percentual de pessoas de índole má, que aproveitam a topografia desses lugares, que dificulta a aproximação da repressão para montar verdadeiras organizações criminosas, mas no “asfalto” também elas estão muito presentes.
Mas apesar de tudo isso que tem acontecido, o Rio de Janeiro continua muito lindo: “Alô, alô Vila Isabel, Mangueira, Salgueiro, Portela…” o Rio de Janeiro, apesar de tudo, sempre será a eterna cidade maravilhosa, salve!
José Emílio é Engenheiro Sanitarista e Jornalista



