
Nos últimos anos, temos notado um enorme aumento da quantidade de cães pelas ruas das cidades do Brasil, e não são os chamados cães vadios, ou sem donos, como queiram, que sempre perambularam por todos os espaços possíveis .
São os cachorros que aparentam ser bem cuidados e que se tornaram uma febre nacional.
Quando começou essa mania, lá no Rio de Janeiro, era impossível andar pelo belo calçadão da praia de Copacabana pois a sujeira canina estava toda espalhada por lá, um nojo! Com o tempo foi feita uma grande campanha para que fossem recolhidos todos os dejetos espalhados e começou a aparecer um novo tipo de hábito, com as pessoas portando um saquinho de plástico nas mãos, enquanto passeavam com seus bichinhos; mas as lixeiras ficavam entupidas desses produtos, tamanha a população de cãezinhos passeando com seus donos pelas ruas das cidades.
O fenômeno está por todos os lugares e esses dias eu vi uma pessoa saindo de uma garagem transportando oito cães amarrados uns nos outros pela rua afora. O pior é que eles vão distraídos com seus celulares e os cães, às vezes, atacam os pedestres que andam pelas calçadas e tem acontecido muitos incidentes graves!
Sei de casos terríveis que ocorreram, inclusive comigo.
Eu estava fazendo uma caminhada pelas ruas de Vitória e toda vez que vejo um cachorro e seu dono vindo, eu mudo de calçada para evitar o encontro. Só que eu tenho outro problema e que eu costumo evitar que é passar por pessoas que estão fumando, pois aquela fumaça me traz problemas sérios. Quando vi, o cidadão que vinha do outro lado estava pitando um, então eu optei por não atravessar e aconteceu o inevitável. O cachorro, um Rotweiler, voou em minha direção já que a sua dona estava celulando. Num reflexo espetacular eu mandei-lhe um belo de um chute pois eu estava com um tênis bem reforçado e ele ficou gritando: “cãe ãe, cãe ãe, cãe ãe…” quando a distraída gritou:
— “Você não poderia fazer isso com ele, olha só como ele ficou coitadinho, isso é covardia!”
Falei prá ela: — “fiz e faço a hora que for preciso”, quando ela disse: “vou ligar pro meu marido você vai ver!” Eu falei prá ela que eu estava indo à delegacia fazer uma queixa e que eles iriam prender ela, o cachorro e talvez até o seu marido. A mulher ficou desesperada com tal ameaça.
Todos os dias temos notícias de cachorros atacando pessoas, principalmente os Pitbulls. No bairro de Santa Tereza, em Belo Horizonte, uma senhora estava indo para uma academia na rua Mármore e passou por um cachorro cujo dono estava bem na frente, quase no outro quarteirão, também celulando, quando ela foi atacada pelo cão que, por sinal, também era um Pitbull e se não fosse o pessoal da academia, ela seria dilacerada, tal a ferocidade do cão.
O dono quando ouviu os gritos, chamou pelo cachorro que estava andando solto e sem focinheira e capinou no cerrado, ninguém mais viu os dois animais lá no bairro.
Nada contra, mas a favor de responsabilidades de quem assume tal gosto pela companhia de tais animais.
Uma conhecida minha me disse que a menina que trabalha na sua casa tem três cachorros e a metade do seu salário vai para cuidar deles pois ela ainda paga uma pessoa para ficar com eles, enquanto ela está no trabalho. O pior é que ela acabou de ter uma filha, produção independente, e as despesas cresceram muito, aí é gostar demais, não é mesmo?
O certo é que isto está se tornando um grande problema para a convivência urbana pois quase todos os estabelecimentos comerciais, prédios… liberaram para a frequência dos animais e que às vezes torna- se uma grande chateação para quem não é o dono e está passeando por esses ambientes.
Outra coisa terrível é quando eles passam uns pelos outros, aí a rusga é terrível e quase incontornável.
Esses dias no Mercado Central presenciei uma quase tragédia. No final de semana com os corredores do mercado entupidos, e lá é liberado para os cães. De repente um passou pelo outro e a guerra foi total pois um senhor que estava acompanhando um cão dele, já havia tomado umas e muitas outras e não aguentou segurar o dele que avançou num outro que vinha no sentido contrário e foi um alvoroço geral.
O certo é que devemos cuidar e ter carinho com todos os animais, mas acho que está havendo um excesso muito chato de zelo para com eles, sobretudo com os cães, que estão sendo tratados com muito carinho, até mais do que com as nossas crianças.
A “Cão Mania” tomou conta e se tornou uma grande febre para muitas famílias das nossas cidades e dá uma saudade danada quando esses apegos eram feitos, mais amiúde, quando íamos para a roça e lá poderíamos curtir esses bichinhos agradáveis e inteligentes sem incomodar ninguém!
José Emílio é Engenheiro Sanitarista e Jornalista



