
O banho de bola – técnico, tático, coletivo e individual – que a campeã mundial Espanha/2026 aplicou na Argentina e na França, está a exigir da CBF uma reflexão mais severa sobre os rumos futuros da seleção brasileira.
Não basta mais a cômoda distribuição de uma cartilha festiva, como a que a entidade distribuiu há dias, ainda em pleno andamento do Mundial encerrado no dia 19, na qual a Confederação fala em ciclo, planos, projetos para o futuro. mas que, na verdade, repetem as promessas de tantos insucessos vividos pela seleção.
Tome-se, por exemplo, o fracasso mais recente da seleção entregue a Ancelotti, já cercada de muitas críticas em razão do trabalho que se prometeu e daquilo que a realidade mostrou dentro de campo. Em 13 meses o treinador, com seu currículo recheado de êxitos espetaculares na Europa, conseguiu em 17 jogos, três empates, quatro derrotas e 10 vitórias. E isto sem enfrentar seleções da prateleira de cima do futebol mundial.
A seleção brasileira, que outrora fazia qualquer adversário tremer dentro de campo, lamentavelmente já não assusta mais, como se viu na Copa recentemente encerrada e nas tantas outras perdidas ultimamente.
São números lamentáveis e que a CBF deveria debruçar sobre eles e buscar ações concretas para fazer o torcedor esquecê-los. Da Copa encerrada há dias (e como tem ocorrido rotineiramente) sobraram números que seguem depreciando o futebol brasileiro, mas que devem ser replicados constantemente como forma de fazer a CBF se lembrar dos riscos que o futebol brasileiro sofre e que mancham sua história de glórias.
O que ainda é sempre lembrado é que a seleção brasileira terminou a última Copa com a pior campanha desde 1990 e segunda pior colocação da sua história (11º lugar).
E o que aconteceu de tão ruim assim em 1990?
Vamos recordar. Era uma seleção que contava com muitos craques, como Bebeto, Muller, Careca, Romário, Silas, Renato Gaúcho, Branco, Valdo, Alemão, Taffarel, Jorginho, Ricardo Gomes. Mas, seu comando era um fracasso e entregue a um treinador, Sebastião Lazaroni, contestado pela mídia e torcida.
O time começou vencendo a Suécia (2 a 1) e em seguida teve uma atuação medíocre na vitória diante do frágil time da Costa Rica (1 a 0). Sobre as duras críticas que recebia, Lazaroni retrucou: “O Brasil vem jogando bonito há muitas copas, principalmente em 1982 (com Telê); em 1986 (Telê), quando estava crescendo, foi eliminado. Agora, vai jogar feio até o fim, mas vamos ser campeões se continuarmos ganhando só de 1 a 0.”
No terceiro jogo, contra a Escócia, outra atuação ruim, mas vitória de 1 a 0. Nas oitavas ocorreu a eliminação diante da Argentina (1 a 0). Depois, apareceram as verdades que mostraram o ambiente que existia naquela seleção. O atacante Muller, por exemplo, disse: “Eu morava em Turim e se dormi uma noite na concentração não foi muito”. Turim, na Itália, foi a cidade que hospedou a seleção e onde ela fez três jogos.
Romário disse, na época, que o time “reunia mais do que treinava”. E Branco, contundente, desabafou: “Nós olhávamos para aquilo como uma grande bagunça”. Tudo muito lamentável.
Vale repetir – e lembrar mais uma vez – que na Copa do Mundo 2026, recentemente encerrada, a Seleção Brasileira, com Ancelotti, fracassou e fez sua pior campanha desde 1990, na era Lazaroni. São épocas diferentes, sim, mas comparar fracassos serve, no mínimo, também como alerta.
Erasmo Angelo é Jornalista. Foi Redator de Esportes e Colunista do jornal Estado de Minas, Redator do Jornal do Sports/MG, apresentador e produtor na TV Itacolomi, TV Alterosa e Rádio Guarani. Foi presidente da ADEMG – Administração de Estádios do Estado de Minas Gerais, editou a Revista do Cruzeiro. Formado em História pela PUC/MG. Autor



