Quem ainda acredita em Ancelotti? (por Erasmo Angelo)

Exatamente uma semana após o fiasco da seleção brasileira no Mundial 2026, com eliminação diante da [...]

Exatamente uma semana após o fiasco da seleção brasileira no Mundial 2026, com eliminação diante da Noruega (2 a 1, dia 05 de julho), a CBF cuidou, às pressas, de tentar salvar sua pele diante do fracasso que o time de Ancelotti proporcionou nos Estados Unidos.

No dia 12 último, a entidade lançou nas redes sociais um vídeo informando sobre o “lançamento oficial” do planejamento para a Copa de 2030, que ela cita como um novo “ciclo”, um substantivo que a mídia esportiva passou a usar aleatoriamente para ilustrar qualquer fase no futebol e que a CBF encampou para ilustrar suas costumeiras e históricas promessas e lorotas.

Só que o torcedor deixou de ser trouxa. Nas redes sociais, como reflexo do que a própria torcida constatou sobre a seleção brasileira, antes e depois da Copa, verificou-se que a postagem da Confederação foi recebida com críticas, desconfianças e pessimismo. Uma maioria entende que a CBF, com suas novas “promessas”, fez apenas uma jogada de marketing, em peça que contém mais fantasias do que realidades.

O desencanto tem suas razões. Nos seus 13 meses de trabalho, que culminaram com o pífio desempenho da seleção na Copa 2026, Ancelotti, 67 anos, foi deixando, em sua caminhada, mais dúvidas do que esperanças. Quando chegou, em maio do ano passado, o treinador animou o torcedor ao projetar um futebol brasileiro voltado para o futuro.

Em coluna antiga neste espaço, quando o desencanto ao trabalho do treinador já se iniciava, escrevemos assim sobre as dúvidas quanto às promessas futurosas que haviam sido feitas: “Isto foi entendido como um grande projeto de renovação e em oposição ao viciado sistema de convocações e métodos de trabalho ultrapassados”.

Gradativamente e ao mesmo tempo em que cedia às pressões, o técnico se deixou levar pelas bajulações e até aceitou participar do ridículo circo armado pela CBF para o dia da convocação dos jogadores, em 18 de maio. Tudo aquilo parecia indicar que estávamos no começo do fim, como aliás se concretizou.

Na mesma coluna citada acima, escrevemos naquela oportunidade: “.,.dentro do circo armado para a convocação da seleção para a Copa, dia 18 último, Ancelotti achou mais cômodo dar uma volta ao passado recente. Preferiu ter ao seu lado, por gosto ou emergência, um punhado de jogadores retirados do baú de listas anteriores, a maioria sem êxitos na seleção e com desempenhos ruins. Entre os 26 convocados por Ancelotti, 15 deles estavam naquela barca furada comandada pelo técnico Tite na Copa do Mundo do Catar, há quatro anos”.

E veio o mais grave: Ancelotti completou seu nível de submissão às pressões e à imoral ação dos lobistas, levando para o seu circo o decadente ex-jogador Neymar. O resto todos já sabem.

Desagradável foi ver o treinador fugir da entrevista oficial imediatamente após a eliminação para a Noruega, mandando seu filho conversar com a imprensa. No dia seguinte, deixou o hotel da seleção e foi para o Canadá. Não deu nenhuma satisfação à torcida sobre o fiasco brasileiro no Mundial, mas ganhou, antes da Copa, um excelente contrato para ficar mais quatro anos na seleção.

É com este tipo de “trabalho” que a CBF fala em “novo ciclo” para a Copa de 2030. Dá para acreditar?

Erasmo Angelo é Jornalista. Foi Redator de Esportes e Colunista do jornal Estado de Minas, Redator do Jornal do Sports/MG, apresentador e produtor na TV Itacolomi, TV Alterosa e Rádio Guarani. Foi presidente da ADEMG – Administração de Estádios do Estado de Minas Gerais, editou a Revista do Cruzeiro. Formado em História pela PUC/MG. Autor

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