
A superstição não recomenda, sob pena do fogo do Inferno, a compra e venda de santos, igrejas ou capelas, mesmo que esta, feito a minha Capela da Cafuringa, tenha sido feita com o meu dinheiro.
Mas muitos comerciantes os compravam e os revendiam, porém alegavam que as suas operações eram de TROCA, PERMUTA OU CATIRA!
Outros diziam que as imagens só se tornavam sacras depois de benzidas por um padre, e antes disso não passavam de pedaços de pau ou de blocos de argila, gesso ou pedras esculpidas, e podiam ser compradas ou vendidas.
O pintor e escultor Luiz de Braz, por receio de suas imagens caírem na proibição, só deixava padre chegar perto delas depois de receber pelo seu digno trabalho, e, por exemplo travou o seguinte diálogo com o meu pai:
− “Luiz, estou sabendo que você fez uma linda Nossa Senhora?”
− “Fiz não, Zé Durval, mas fiz mesmo foi uma égua!”
− “Égua, Luiz?”
− “Sim, égua no sentido de muito grande… uma bitela, e como égua ela pode ser vendida, sem eu cometer pecado!”
Carlos Mota Coelho é Escritor e Membro da Academia de Letras do Vale do Jequitinhonha. Foi Deputado Federal e Procurador Federal. Autor de vários livros.



