Um negócio chamado futebol (por Aldeir Ferraz)

Meu Tio Osvaldo era torcedor do Botafogo; sua paixão pelo time era extrema. [...]

Meu Tio Osvaldo era torcedor do Botafogo; sua paixão pelo time era extrema.

​Sua paixão tinha motivo: o time de Mané Garrincha era uma obra de arte, os artistas da bola encantavam.

​Mas o Botafogo passou um longo período sem ganhar títulos; porém, o tio Osvaldo não largava mão, pois a arte é assim, alimenta a esperança na alma de todos.​

O artista do futebol é um encantador de almas, mesmo com o passar do tempo.​

Aprendemos de geração em geração a ter um time para quem torcer, e quando a Seleção Brasileira se juntava com os melhores artistas da bola, o coração acelerava ainda mais.​

Os tempos mudaram essa forma de vivenciar o futebol.​

Agora não assistimos mais a artistas da bola, e sim a empreendimentos de empresários que ganham dinheiro com quem pisa na grama.​

A paixão e a esperança do povo viraram negócio; o tio Osvaldo certamente não seria um apaixonado por futebol nos tempos de hoje.

​A Seleção Brasileira perdeu mais uma Copa; poderíamos dizer que isso foi uma tristeza, mas, na realidade atual, foi apenas um mau negócio.

Aldeir Ferraz é Político e Escritor

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