Messi e Neymar: contraste nas lágrimas (por Erasmo Angelo)

Em um intervalo de pouco mais de 48 horas, o destino do futebol colocou diante da plateia mundial, em [...]

Em um intervalo de pouco mais de 48 horas, o destino do futebol colocou diante da plateia mundial, em grande destaque, as imagens de dois personagens que integram a história do esporte mais popular do planeta: Lionel Messi e Neymar Jr.

Foram imagens que exibiram dois espantosos contrastes, protagonizados por um  atleta, hoje com 39 anos (Messi) e que ainda provoca justos delírios nos estádios, e por um outro jogador, de 34 anos (Neymar), que faz da vaidade e da arrogância a camuflagem de sua decadência técnica e individual no futebol.

Os dois foram os personagens, na Copa do Mundo que vai chegando ao fim, dos jogos que decidiram o destino de suas seleções nacionais no Mundial. Neymar, durante a partida contra a Noruega no domingo, dia 5, que eliminou o Brasil, e Messi, herói da virada espetacular da Argentina sobre o Egito, em apenas eletrizantes 12 minutos, na terça-feira, dia 7.

Neymar entrou em campo contra a Noruega aos 22min do segundo tempo, quando o placar era de zero a zero. A seleção brasileira, que já estava mal, piorou. A Noruega fez 1 a 0 aos 34min e os lobistas, muitos deles na mídia e que tanto trabalharam (melhor é “pressionaram”) para a convocação do atacante, devem ter entrado em pânico quando notaram que o seu protegido não teve a mínima capacidade de liderar aquele desnorteado ajuntamento que o técnico Ancelotti mandou a campo.

Aqueles 34 derradeiros minutos de Neymar vestindo a camisa da seleção (23m do tempo normal mais 11m de acréscimos) serviram para desmistificar duas balelas espalhadas pelos lobistas para exaltar a suposta força do seu protegido. Uma delas, “a liderança de Neymar”, coisa que nunca existiu. Outra, o tal “pavor dos adversários ante a simples presença de Neymar em campo”. Lorota. Os noruegueses, com Neymar em campo, tacaram logo 2 a 0 no Brasil, em poucos minutos, e nem tomaram conhecimento do camisa 10 de Ancelotti.

Os últimos minutinhos do atacante com a seleção brasileira também foram lamentáveis. A cobrança do pênalti, que lhe valeu seu último gol pelo selecionado, foi recebido sem festa pelo público. No lance, Neymar ainda provocou uma debochada e condenada discussão com o goleiro rival. E seu último ato em campo, o adeus, foi receber um cartão amarelo por entrada violenta em um adversário. Lastimável.

O contraste entre os personagens desta coluna, Neymar e Messi, pode ser relembrado pelas imagens exibidas após o encerramento das partidas que envolveram a eliminação do Brasil (dia 5) e a inacreditável e incrível virada da Argentina sobre o Egito (dia 7). Nesta, Messi liderou e comandou a reviravolta de um placar adverso de 2 a 0 para vitória por 3 a 2 nos apenas 12 minutos derradeiros para o final da partida. Na sua emoção e na natural emoção do mundo argentino, o camisa 10 sorria e chorava junto ao seu pessoal.

Já o camisa 10 da seleção brasileira, ao final da justa derrota para a Noruega, transitou demoradamente pelo gramado, sempre acompanhado (como gosta) pelas câmeras de TV. Depois, sentou-se por alguns minutos, cabeça baixa, e levantou-se exibindo olhos molhados. Lágrimas sinceras? Não se sabe. O próprio Neymar, em razão de fatos conturbados que cercaram sua carreira, nos últimos anos, permite tais interrogações.

A jornalista Alícia Klein, no UOL, definiu bem o papel de Neymar na seleção e os objetivos que cercaram sua convocação. Diz a jornalista: “A Copa de Neymar foi um sucesso: ganhou mais fama, mais reconhecimento, mais seguidores, mais dinheiro. Azar de quem achou que ele tinha ido lá para ganhar algo com a seleção brasileira”.

Pena que tenha sido desta forma o triste final da carreira de Neymar na seleção brasileira. Um craque que, durante algum tempo fez o mundo se render e se curvar em respeito ao seu inquestionável talento. Esteve em quatro Copas (2014, 2018, 2022 e 2026) e não ganhou nada. Nos últimos cinco anos, patinou na decadência. Para a Copa deste ano, lobistas, influenciadores, amigos com fartura na mídia e um grupinho na seleção, liderados por Casemiro, pressionaram o treinador pela convocação do atacante, que não possuía sequer condições físicas para ir. Submisso, Ancelotti engoliu o indigesto lobby e naufragou abraçado a Neymar, aos lobistas e ao fiasco do seu trabalho.

Felizmente, o fracasso do trabalho de Ancelotti possibilitou um benefício: a seleção está livre de Neymar.

Erasmo Angelo é Jornalista. Foi Redator de Esportes e Colunista do jornal Estado de Minas, Redator do Jornal do Sports/MG, apresentador e produtor na TV Itacolomi, TV Alterosa e Rádio Guarani. Foi presidente da ADEMG – Administração de Estádios do Estado de Minas Gerais, editou a Revista do Cruzeiro. Formado em História pela PUC/MG. Autor

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