O Brasil começa a entender que defesa é sobrevivência

No Brasil, a defesa sempre foi entendida como gasto, e não como estratégia de sobrevivência. [...]

No Brasil, a defesa sempre foi entendida como gasto, e não como estratégia de sobrevivência.

Este fato sempre ocorreu devido à percepção de serem as Forças Armadas relativamente dissociadas da população.

Essa percepção tem raízes históricas.

A Proclamação da República em 1889, sob a liderança do Marechal Deodoro da Fonseca, foi um movimento da elite político-militar, sem maior participação da população. A Primeira República caracterizou-se pela Política dos Governadores, do “Café com Leite”, no poder das oligarquias com exclusão social.

De 1924 a 1927, Luis Carlos Prestes, ex Capitão do Exército Brasileiro, liderou a “Coluna Prestes”, reivindicatório à esquerda do espectro político, voto secreto e salário mínimo, com o acirramento político à direita dentro do Exército Brasileiro. A Revolução de 1930 decorreu de movimento político-militar para evitar que Júlio Prestes, eleito para Presidente, dissidente da política do “Café com Leite”, tomasse posse. Getúlio Vargas, que perdeu as eleições para Júlio Prestes, assume a Presidência com o apoio das Forças Armadas.

Vargas modificou o país com uma política de coalizão, mantendo a Política Oligárquica ao nível rural, e implementado um pacto social nas áreas urbanas com a CLT, salário mínimo e mediação do Ministério do Trabalho entre os empresários e os trabalhadores na formação de Sindicatos.

Segue-se o período eleitoral a partir de 1945, com o suicídio de Vagas em 1954 em contraposição às inciativas antidemocráticas.

Juscelino Kubitschek foi eleito em 1955, governando de 1956 a 1961, no período possivelmente de maior congruência das tendências divergentes da política brasileira.

Jânio Quadros é eleito em 1960 com João Goulart como Vice, Jânio renunciando à Presidência com João Goulart assumindo em 1961. Goulart implementa políticas à esquerda, extensão da CLT à área rural, e desapropriação de terras não produtivas à beira de rodovias para reforma agrária, sendo destituído em 1964 pelos Militares.

O país cresce com os Militares, no processo de urbanização do país e criação de Estatais. A partir de 1982 a economia começa a declinar. O país volta à normalidade eleitoral em 1984.

Bolsonaro é eleito para o período 2019-2022, tentando a quebra da ordem institucional do país ao final de seu governo, sem o endosso dos Militares, nos termos constitucionais.

Hoje, o “Mundo Geopolítico” não respeita fronteiras, economias ou ideologias, mas dita os seus interesses para a obtenção de recursos necessários à sua sobrevivência.

Na maior institucionalização democrática das Forças Militares, o Brasil se move para a política de que a defesa, hoje, significa sobrevivência.

O recente compra de 20 caças Gripen, além do orçamento previamente estimado para a defesa, é indicativo da nova postura.

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