
No extremo norte do planeta, na ilha de Spitsbergen, arquipélago de Svalbard, na Noruega, está Longyearbyen, uma das cidades mais ao norte habitadas permanentemente no mundo. Conhecida por suas paisagens árticas, auroras boreais e longos períodos de escuridão polar, a cidade também ficou famosa por um detalhe incomum: ali, não se realizam novos enterros.
Apesar da crença popular de que “é proibido morrer”, a realidade é mais pragmática e menos dramática. Existe, sim, um cemitério na cidade, mas ele está praticamente desativado para novos sepultamentos. O motivo não tem relação com leis sobre morte, e sim com o ambiente extremo em que a cidade está inserida.
Longyearbyen é construída sobre permafrost, um tipo de solo permanentemente congelado. Nesse tipo de terreno, corpos enterrados não se decompõem da forma habitual. Em vez disso, podem permanecer preservados por longos períodos, o que levanta preocupações sanitárias e ambientais. Estudos já apontaram, inclusive, que vírus antigos podem permanecer intactos em condições de congelamento prolongado, o que reforça a cautela local.
Por essa razão, o cemitério existente na cidade deixou de receber novos enterros há décadas. Quando ocorre uma morte, o procedimento mais comum é o transporte do corpo para o continente norueguês, onde o sepultamento é realizado em condições adequadas de solo e decomposição.
Isso não significa que haja uma proibição de morrer ou qualquer regra desse tipo. Trata-se, na verdade, de uma adaptação logística e sanitária a um ambiente extremamente frio e isolado
Longyearbyen não é uma cidade onde morrer é proibido é uma cidade onde a morte precisa viajar.



