O planeta acende o sinal vermelho e Brasília, ao que parece, continua procurando o interruptor.
Com alertas cada vez mais graves sobre incêndios e eventos climáticos extremos impulsionados pelo El Niño, a pergunta é tão simples quanto oportuna: o que exatamente o governo federal está fazendo para evitar que a próxima tragédia da natureza encontre o país outra vez improvisando?
Na quarta-feira passada, o CAPABRASIL procurou o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional em busca de respostas objetivas. Queria saber sobre compras de aeronaves para combate a queimadas, treinamento de brigadas com novas técnicas, convênios com estados e municípios, cooperação internacional, aquisição de barracas, botes e equipamentos de emergência etc. Recebeu, em troca, um velho conhecido da administração pública brasileira: silêncio.
Silêncio sobre planejamento. Silêncio sobre prevenção. Silêncio sobre preparo.
E o desastre natural não costuma aguardar coletiva de imprensa e nem despacho burocrático.
Enquanto isso, cientistas alertam para a elevada probabilidade de fortalecimento do El Niño e seus efeitos globais – secas mais severas aqui, chuvas torrenciais acolá, incêndios e enchentes dividindo o noticiário e a conta do prejuízo.
Quando a fumaça subir ou a água invadir cidades e o campo será tarde para discursos indignados e cerimônias de solidariedade televisionada. Tragédia anunciada não combina com surpresa oficial.
Governos gostam de culpar a herança recebida, o orçamento apertado ou a oposição de plantão. Mas a prevenção tem uma característica ingrata: quando funciona, ninguém percebe. Quando falha, todo mundo paga a conta.
E a natureza, como se sabe, não negocia prazo com gabinete.



