COLUNA RONALDO HERDY

Pix eleitoral

A temporada eleitoral mal abriu as portas e já tem candidato passando o chapéu digital.
Desde sexta-feira, plataformas autorizadas pelo Tribunal Superior Eleitoral começaram a operar as chamadas vaquinhas virtuais – aquele momento em que a política troca o santinho pelo QR Code e pede contribuição ao eleitor. Só pessoa física pode doar. Pix ideológico, por assim dizer.

Na plataforma “Quero Apoiar”, a principal entre as quatro avalizadas pelo TSE, Renan Santos, do MBL, filiado ao Missão e pré-candidato ao Planalto, saiu na frente com R$ 196.245,00 arrecadados em três dias de operação. Logo atrás apareceu Marcel van Hattem, do Novo, pré-candidato ao Senado pelo Rio Grande do Sul, embolsando R$ 141.582,00. Na sequência, o youtuber Jones Manoel, pré-candidato à Câmara dos Deputados pelo PSOL, com R$ 81.235,00.

Os dados chamam atenção por dois motivos.

Primeiro, porque evidencia como que militância digital virou ativo eleitoral com valor de mercado. Influência, engajamento e nicho político hoje pesam quase tanto quanto tempo de televisão – talvez mais.

Segundo, porque revela uma mudança silenciosa na relação entre eleitor e candidato. Antigamente, político pedia voto prometendo mundos e fundos. Agora pede também financiamento antecipado para tentar chegar lá.

A pergunta inevitável é até onde vai essa disputa. Alguém chegará ao milhão de reais?
Possível é. Em termos de seguidores organizados, polarização turbinada e campanha em tempo integral nas redes, a política descobriu que arrecadação também virou termômetro de popularidade – ou pelo menos capacidade de mobilizar carteiras simpáticas à causa.
No fim das contas, a urna continua decidindo a eleição. Mas antes dela, parece que o Pix virtual e político quer dar seus palpites.

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