
As imagens geradas por televisão envolvendo qualquer espetáculo esportivo são, nos tempos atuais, espetaculares, fenomenais. As câmeras não deixam escapar nenhum detalhe precioso, apresentando um show minucioso de imagens nos lances de uma partida, impossíveis de serem acompanhados ou observados por quem estiver dentro de um estádio.
Não se brinca com as imagens de televisão. Ainda mais quando tais espetáculos acontecem ao vivo, diante dos olhos e ouvidos atentos das multidões que se postam diante da telinha colorida. A imagem que chega aos olhos de cada um é indesmentível. Está lá, acontecendo ao vivo, mostrando fatos e personagens que fazem parte daquele espetáculo esportivo e diante de incontáveis testemunhas. É tudo real.
Um grande e grave (gravíssimo) problema, é quando se tenta desmentir a imagem através daquilo que a acompanha, o som. É quando se tenta induzir o telespectador a não acreditar no que está vendo. Mas, não tem jeito. Ela significa a verdade que o olho imaculado da câmara de tv transforma em imagem maravilhosamente colorida e a coloca diante dos olhos do público. Uma realidade que não se pode alterar.
Mas, ainda assim tentam.
Exemplo mais recente sobre o descompasso entre imagem e som (o que se vê e o que se ouve) foi apresentado a milhões de fãs do vôlei, espalhados por todo o Brasil, na final masculina entre Campinas e Cruzeiro/Sada, no domingo do dia das mães, através da Rede Globo.
Os amantes do vôlei e os analistas deste esporte, conhecem com sobras a indiscutível força técnica do Cruzeiro, reconhecida internacionalmente. Mas, o locutor daquela partida, Gustavo Villani, resolveu contrariar e “brigar” com as imagens, que os olhos das câmeras geravam e não podiam ser desmentidas. Muito menos contrariadas.
Enquanto o time mineiro produzia um notável (e quase costumeiro) show técnico e individual na quadra, o narrador praticamente passou quase toda a partida desconhecendo as virtudes de quem se impunha em campo. Exaltava e gritava a cada ponto do Campinas, enquanto o comentarista Nalbert, ex-craque da Seleção Brasileira de vôlei, fazia malabarismos verbais para tentar salvar a transmissão da TV das bobagens proferidas pelo narrador em sua tentativa de diminuir o êxito do time mineiro, vencedor daquela final por incontestáveis 3 sets a zero
Vale lembrar que nesta recente decisão no Ibirapuera/SP, o Cruzeiro/Sada conquistou seu décimo título da Superliga masculina em 12 finais, sendo o maior vencedor da competição, seguido pelo Minas TC, com sete. Detém a hegemoniza do vôlei no cenário nacional e continental. Desde 2012, disputou 68 finais e conquistou incríveis 60 títulos.
Além da Superliga Brasileira, é pentacampeão no Mundial de clubes; possui 11 títulos de campeão sul-americano. É octacampeão da Copa do Brasil, heptacampeão da Supercopa. E no âmbito caseiro, tem 16 títulos consecutivos de campeão mineiro. Em seu arrojado projeto de vôlei, conta com 2.000 alunos nas escolinhas.
Pelo visto, o locutor Villani quis contrariar, quis brigar com as imagens, e se deu mal. Muito mal. Seu som foi castigado pelas imagens. Ainda bem!
Erasmo Angelo é Jornalista. Foi Redator de Esportes e Colunista do jornal Estado de Minas, Redator do Jornal do Sports/MG, apresentador e produtor na TV Itacolomi, TV Alterosa e Rádio Guarani. Foi presidente da ADEMG – Administração de Estádios do Estado de Minas Gerais, editou a Revista do Cruzeiro. Formado em História pela PUC/MG. Autor



