Se Luiz Inácio Lula da Silva fosse navio, nesta semana passaria longe da costa do Rio de Janeiro. Enquanto José Antonio Kast (Chile) e Javier Milei (Argentina) deram o ar da graça na Operação Southern Seas 2026, Lula preferiu ficar em terra firme – decisão confirmada pela Secom ao CAPABRASIL. As ações começam nesta quinta-feira.
No mar, quem brilha é o veterano USS Nimitz, estrela de um desfile naval que percorre a América do Sul como quem exibe músculo e manda recado. Tem de tudo no cardápio: caça F-18 Hornet riscando o céu, simulações de defesa aérea e manobras de esquadras. Traduzindo: alinhamento explícito aos EUA, sem marolas.
Do lado de cá, o Brasil entra discreto. A Marinha marca presença solitária na costa fluminense, enquanto a FAB alegou compromissos no Centro-Oeste. Ficou parecendo aquele convidado que confirma presença, mas aparece só para o cafezinho.
Os exercícios também tem um tom de despedida. Em atividade desde 1975, o Nimitz se prepara para baixar âncora de vez no ano que vem. Não deve encontrar comprador – operar um gigante nuclear não é para amadores e nem para cofres despreparados.
E o contraste salta aos olhos: o Brasil que comemora a chegada do moderno Saab JAS 39 Gripen, segue sem porta-aviões. Seu trunfo naval é o Atlântico A-140, útil, mas incapaz de lançar caças de asa fixa.
No fim das contas, enquanto alguns fazem barulho em alto mar, o Brasil observa da praia – com binóculo, cautela e um certo ar de quem já teve mais ambição oceânica.



