Quando a pressa vira política pública, o risco é transformar direito em carimbo. No Conselho Nacional de Previdência Social, em reunião na semana passada, o alerta veio direto da cadeira dos trabalhadores: Rolando Medeiros diz que a fila do INSS pode até estar andando, mas na base do atalho.
Segundo ele, perícias médicas estão sendo feitas em menos de dez minutos. Dez minutos para decidir se alguém tem ou não direito a um benefício. É pouco para um café; imagine para avaliar a saúde de quem depende disso para viver.
E tem mais: enquanto o governo defende a jornada 6 x 1, promove mutirões de servidores do INSS aos finais de semana para dar vazão à fila. Na prática, um discurso que caminha numa direção e uma urgência que puxa para outra.
A sugestão é menos improviso e mais estrutura: concurso público, reforço de equipe e atendimento com tempo – não com cronômetro. Porque, no fim, reduzir fila não pode significar reduzir critério.



