Quando o dinheiro público entra pesado, o Ministério Público Federal costuma entrar junto – e de Lula na mão. Agora, abriu inquérito para olhar de perto os R$ 3,7 bilhões que o BNDES colocou na conta da LHG Logística, que navega pelo Rio Paraguai a partir de Corumbá.
A ideia é botar na água 400 balsas e 15 empurradores para escoar o minério. No papel, desenvolvimento. Na prática, segundo o MPF, pode ser dor de cabeça. Os estudos ambientais foram considerados rasos, e o risco de mexer no delicado Pantanal preocupa – ainda mais quando se fala em ampliar, e muito, o trânsito de embarcações numa região que não costuma perdoar descuidos.
Tem também o outro lado da conta: comunidades tradicionais que podem pagar o preço desse progresso acelerado. O receio é de impacto irreversível – daqueles que não cabem em planilha nem voltam atrás com compensação ambiental.
E como desgraça pouca é bobagem, o MPF também bate à porta da JBS (dona da LHG Logística) com uma ação paralela: cobra R$ 119 milhões por compras de gado de fazendas acusadas de manter trabalhadores em condições análogas à escravidão.
No fim, o roteiro se repete: dinheiro alto, promessa de crescimento e uma conta ambiental e social que insiste em aparecer – cedo ou tarde.



