COLUNA RONALDO HERDY

Aliás…

No Brasil, o roteiro é conhecido: compra-se primeiro, pede-se ajuda depois. Cinco meses após desembolsar cerca de US$ 27 milhões pelo complexo mineroquímico de Taquari-Vassouras, em Aracaju, a VL Holding já bate à porta do BNDES em busca de crédito para turbinar a única mina de potássio do país.

Para quem acompanha a família Batista, não tem novidade. A compradora, Stratos, tem entre os seus nomes fortes Valere Batista, irmã de Joesley e Wesley Batista. O método é direto: entra em um setor, fecha o negócio e, na sequência, recorre ao crédito público para ganhar escala.

Do outro lado do balcão, a oposição já afia o discurso. Promete acompanhar cada centavo liberado, de olho nas eleições de 2026. Nos bastidores, a suspeita é antiga: que a porta giratória entre grandes grupos e o cofre estatal acabe, lá na frente, em forma de doação generosa para campanhas alinhadas ao Palácio do Planalto.

No fim das contas não é só sobre mineração. É sobre a velha dúvida brasileira: onde termina o incentivo ao desenvolvimento – e onde começa a dependência do dinheiro público.

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