COLUNA RONALDO HERDY

Sirene falsa, problema verdadeiro

A Polícia Federal está convencida de que o disparo dos falsos alertas extremos pela plataforma da Defesa Civil, no último sábado, acendeu um alerta verdadeiro. O episódio escancarou a necessidade de investir mais na proteção dos sistemas de tecnologia da informação do governo federal.

De madrugada, milhões de brasileiros receberam no celular um aviso aterrorizante. Não houve enchente, rompimento de barragem nem ataque alienígena. Era pior: mais uma demonstração de que os sistemas digitais do Estado continuam vulneráveis num mundo em que hackers trabalham em escala industrial.

Os investigadores suspeitam que a origem da invasão esteja fora do país. Enquanto a apuração corre, a consequência prática já chegou ao cidadão: a plataforma foi desligada. Estão suspensos tanto os alertas via Cell Broadcast quanto as mensagens por SMS. Em outras palavras, para evitar novos sustos falsos, o governo abriu mão, temporariamente, de um instrumento criado para avisar sobre perigos reais.

A situação fica ainda mais preocupante diante de um cenário de escalada dos ataques cibernéticos. Segundo a empresa de segurança digital TI Safe, o Brasil registrou aumento de cerca de 30% nas ofensivas originadas dos Estados Unidos, justamente em meio às tensões comerciais provocadas pelo tarifaço de Donald Trump.

A tecnologia avançou. Os criminosos também. O que continua atrasado é a velocidade com que o poder público percebe que a segurança digital deixou de ser despesa de informática. Virou questão de soberania nacional. E, como ficou evidente no último sábado, basta um clique criminoso para transformar um sistema de proteção em uma fábrica de pânico. 

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