Silêncio x Barulho (por Carlos Mota Coelho)

O diamantinense do barulho, JK inventou e construiu uma cidade - Brasília - que se tornou Patrimônio da [...]

O diamantinense do barulho, JK inventou e construiu uma cidade – Brasília – que se tornou Patrimônio da Humanidade, mas se tornou Capital Mundial da Intolerância, sobretudo por ser alérgica a uma coisa que é característica do homem, inata ou adquirida em sua evolução: a fala!

Além do único bicho que fala, o homem também dança, coisa esta que só os lobos sabem fazer, mas em Brasília também é proibido dançar em certos locais, como no Plano Piloto onde moro!

Falar, cantar e dançar são coisas que, entre outros benefícios, socializam as pessoas, as livram ou curam de depressão e dispensam analistas, psiquiatras ou tarjas pretas, mas milhares de brasilienses preferem isso que conversar, cantar, ouvir música e dançar.

Alegam que barulho as impedem de descansar, mas a população da Asa Sul é majoritariamente de aposentados, feito eu, que não se sujeitam se levantarem cedo para trabalhar.

Já em Diamantina, além da seresta, há uma região – o Rio Grande – em que os seus moradores exigiram da Prefeitura a reativação da sirene da antiga Fábrica de Tecidos, que acorda a cidade às seis da manhã, marca o início da noite às seis da tarde e o da madrugada à meia-noite!

Também o Carnaval, folguedo garantido por lei, mas proibido em grande parte do Plano Piloto, ele é festejado por toda Diamantina, varando noites e madrugadas, sem que a população em peso nada reclame!

Gosto da Brasília em que as pessoas pouco usam buzinas de carros, mas o silêncio sepulcral em que ela voluntariamente se meteu está insuportável!

Carlos Mota Coelho é Escritor e Membro da Academia de Letras do Vale do Jequitinhonha. Foi Deputado Federal e Procurador Federal. Autor de vários livros.

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