Quando a base é atacada, a nação enfraquece (por Luiz Alberto Cureau Júnior)

O recente desfile da Acadêmicos de Niterói no Carnaval do Rio de Janeiro ultrapassou a função de festa popular e acabou virando um espelho para um debate importante, o que [...]


O recente desfile da Acadêmicos de Niterói no Carnaval do Rio de Janeiro ultrapassou a função de festa popular e acabou virando um espelho para um debate importante, o que valorizamos como sociedade e como isso afeta nossa compreensão de família, símbolos culturais e educação cívica?

Carnaval sempre foi uma festa de crítica social e de humor, um espaço em que se satiriza e se celebra, se confronta e se integra. Mas quando a sátira toca em elementos considerados fundamentais para a coesão social, como a família, a fé e os símbolos que sustentam nossa organização coletiva, o debate ultrapassa o entretenimento.

Em sociedades saudáveis, instituições como a família não são meramente tradicionais, elas funcionam como unidades básicas de formação de caráter, de transmissão de valores e de construção de comunidade. Uma criança cresce aprendendo com os mais velhos, não apenas as regras sociais, mas o respeito recíproco, a disciplina, a responsabilidade e o sentido de pertencimento. A essa célula básica se deve parte significativa do desenvolvimento de cidadãos capazes de contribuir positivamente para o futuro. Desorganizar essa célula sem oferecer algo melhor em troca não é evolução, é vazio de rumo.

A pergunta que muitos fazem e que transcende as linhas partidárias é esta, por que insistir em retirar ou satirizar valores que sempre sustentaram nações prósperas e estáveis? Não é uma questão política de direita ou esquerda, é uma questão de desenvolvimento social. Uma sociedade sem referência, sem estrutura familiar respeitada e sem um senso comum saudável tende a se fragmentar, não cresce, apenas se dispersa.

Em vez de ver esse episódio como mais um choque ideológico, podemos aproveitar a reflexão para resgatar boas práticas que sempre funcionaram como por exemplo a educação formal e familiar caminham juntas, escolas ensinam ciência e técnica, famílias ensinam valores e propósito. Uma sem a outra cria lacunas perigosas.

Cultura não precisa ser canceladora, sátira e crítica são válidas, mas podem ser feitas sem degradar o que ajuda a manter a ordem social.

Respeito aos símbolos nacionais, fortalecer aquilo que une, respeito, trabalho, fé, a pátria ajuda a construir confiança cívica em vez de criar divisões supérfluas.

Organização social, bons costumes e educação de qualidade não excluem crítica e inovação. Pelo contrário, quando sabemos o que queremos preservar, podemos então pensar com clareza o que queremos transformar, sem perder o que funciona. O Brasil tem história, famílias fortes, e uma tradição cultural que, se respeitada, pode ser plataforma para desenvolver cidadãos melhores, mais unidos e mais preparados para enfrentar desafios coletivos.

Se quisermos desenvolvimento real, precisamos menos da cultura do confronto e mais da cultura do compromisso. A paz social nasce quando tradição e progresso dialogam, não quando se anulam ou se cutucam.

Luiz Alberto Cureau Júnior
General do Exército Brasileiro da reserva
Consultor climático do instituto Climático VBH

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