Guardado na Universidade de Yale desde 1969, o Manuscrito Voynich é um dos grandes mistérios da história dos livros. Datado entre 1404 e 1438 por radiocarbono, reúne cerca de 240 páginas de pergaminho de pele de bezerro, cobertas por um texto em escrita desconhecida e ilustrações intrigantes. A autenticidade é comprovada: a tinta de ferro-gálico e os pigmentos, como azurita, ocre e verde de cobre, são típicos do fim da Idade Média.
O texto impressiona pela complexidade. São cerca de 170 mil caracteres organizados em aproximadamente 35 mil palavras únicas, seguindo um padrão linguístico consistente. Análises estatísticas indicam que o manuscrito obedece à Lei de Zipf, comum em línguas naturais, sugerindo uma linguagem real ou um sistema de codificação altamente estruturado.
As ilustrações se organizam em seis conjuntos: plantas desconhecidas, diagramas astronômicos com signos do zodíaco, figuras femininas em ambientes aquáticos, imagens cosmológicas, possíveis receitas de ervas medicinais e, ao final, páginas apenas com texto. A uniformidade da caligrafia indica a participação de até cinco escribas.
Décadas de tentativas de decifração não trouxeram respostas definitivas. William Friedman, famoso por quebrar códigos nazistas, estudou o manuscrito sem sucesso. Em 2019, a hipótese de uma língua proto-romance foi rejeitada pela academia. Pesquisas recentes com inteligência artificial apontam possíveis vínculos com estruturas do hebraico e semelhanças com antigos scripts indianos, ainda sem consenso.
Quanto à finalidade, tudo permanece especulativo. A organização temática sugere um manual médico ou farmacêutico medieval. Decifrado ou não, o Voynich permanece como prova da sofisticação intelectual do fim da Idade Média e um desafio fascinante para estudiosos do mundo inteiro.



