
Hoje parece impossível imaginar um supermercado sem carrinhos. Mas, quando o primeiro modelo moderno apareceu nos Estados Unidos, em 1937, muitos clientes simplesmente se recusaram a usá-lo.
A ideia partiu do empresário Sylvan Goldman, proprietário de uma rede de supermercados em Oklahoma. Ele percebeu que havia um problema simples prejudicando suas vendas: quando as cestas ficavam pesadas, os clientes paravam de comprar.
Quanto mais peso carregavam, menor a chance de continuarem colocando produtos na cesta.
Goldman encontrou uma solução observando uma cadeira dobrável. Imaginou colocar rodas em sua estrutura e apoiar nela duas cestas de compras. Com a ajuda do funcionário Fred Young, desenvolveu o equipamento que daria origem ao carrinho moderno. Em 4 de junho de 1937, os primeiros modelos foram colocados à disposição dos clientes.
Parecia uma ideia perfeita.
Os consumidores, porém, não ficaram impressionados.
Segundo os relatos históricos preservados pelo Smithsonian, alguns homens consideravam constrangedor empurrar o equipamento, como se isso demonstrasse que não eram fortes o suficiente para carregar uma cesta. Algumas mulheres também resistiam porque o carrinho lembrava um carrinho de bebê, algo que muitas já empurravam diariamente.
Goldman então teve uma ideia tão curiosa quanto a própria invenção: contratou pessoas para circular por seus supermercados empurrando os novos carrinhos, como se fossem clientes. Uma funcionária também ficava na entrada incentivando os consumidores a experimentá-los.
Funcionou.
Quando os clientes perceberam outras pessoas utilizando naturalmente a novidade, começaram a imitá-las. E havia uma vantagem enorme para Goldman: quem não precisava carregar o peso das compras podia continuar colocando produtos no carrinho.
O invento se espalhou.
Ainda havia, porém, outro problema. Os primeiros modelos ocupavam muito espaço quando não estavam sendo utilizados. Em 1946, o inventor Orla E. Watson desenvolveu um sistema que permitia encaixar um carrinho dentro do outro, princípio dos carrinhos encontrados atualmente nos estacionamentos e entradas de supermercados.
O objeto criado para poupar os braços dos consumidores acabou fazendo muito mais do que isso. Ajudou a mudar a maneira como as pessoas compravam e permitiu que supermercados vendessem quantidades maiores de produtos por visita.
E tudo começou com uma observação extremamente simples: quando a cesta ficava pesada demais, o cliente parava de comprar.



