
O melhor espelho para revelar como está o Brasil, o seu povo e suas instituições, é a atual seleção brasileira de futebol, desclassificada da Copa do Mundo FIFA, em 2026. Se pudéssemos representar, retratar, o Brasil, com nossa equipe de futebol, a defesa seria o povo brasileiro. Sofre ataques por todos os lados, não resiste às ofensivas dos adversários, cada vez mais fortes, com atacantes altos, vermelhos, mais parecendo os juros cobrados dos brasileiros. Sobem muito acima de nossos zagueiros e marcam gols, diante de nossa incapacidade de defender. As faltas cometidas são iguais às da frequência escolar, comprometem a todos e expõem nosso futuro. Uma defesa frágil como a saúde do país, sofrendo sérios problemas de saneamento e invasão de bactérias e vírus, permitindo a estes atacantes aproveitarem de nossas falhas e nos vencerem. Uma defesa incapaz de marcar com força, resistência, segurança e profissionalismo aos ataques destes invasores oportunistas e perigosos.
Nosso meio de campo é o retrato de nosso legislativo, acostumado a roubar, a bola, porém incapazes de avançarem e darem passes ou assistências aos nossos atacantes. Ou ajudarem a defesa nos seus momentos de sufoco. São ótimos em passes laterais, sem nenhuma penetração, ficam no enrola-enrola, discussão pra cá, bola pra lá, erram mais que acertam e nunca se voltam para a defesa. São auto suficientes, como se todos os problemas fossem ilusão do jogo e do povo, dever e compromisso do executivo e judiciário. Lavam as mãos diante de qualquer questão e não se comprometem nem com a defesa nem com o ataque, preferem enxergar o mundo, o jogo, a partir de seus próprios umbigos. Na câmara alta, então, é de assustar o descompromisso com o resultado, vivem no país das maravilhas, olham o jogo como se fossem observadores acima do bem e do mal, privilegiados e numa posição de deixar rolar a pelota.
Nosso ataque, então, é de chorar de dó. Representam um reflexo perfeito o nosso executivo e judiciário. Este um tradicional defensor, que há anos partiu para o ataque, desguarnecendo todo o nosso sistema de proteção e defesa. Perdem oportunidades demais, erram pênaltis, chutam pra todos os lados, nunca no alvo necessário. Se marcam gols é mais por acidente que por competência. Todos se acham craques, insuperáveis, vaidosos, ídolos e grandes salvadores da pátria. No entanto, frustram, envergonham, diante de excelentes oportunidades, quedam-se diante da própria falta de méritos. Cara a cara com o gol tremem, escondem-se na própria mediocridade e culpam o povo, que não os entendem, nem os defendem. São arrogantes, simuladores de faltas, na área, em cada jogo, no dia a dia, caem por qualquer motivo e pedem pênalti. Se dizem vítimas da incompreensão, mas não querem largar o osso, certos de que a torcida, apaixonada, não enxerga suas falhas e absoluta incompetência.
No entanto precisamos ver, sem paixão, que nossos problemas, tanto do futebol quanto da pátria, passam pela estrutura, organização, instituições, identidade, constituição, processos e vontade de fazer melhor o que não está certo, o que precisa ser mudado, sair da zona de conforto. O Brasil é muito maior do que estamos fazendo, recebendo e merecendo, tanto no futebol quanto no governo. Falhas e faltas nossas.
Nestor de Oliveira é Jornalista e Escritor



