Movimento de ex-alunos do Estadual Central de MG (por Afonso Cozzi)

O colégio foi idealizado pelo ex-aluno do Colégio Estadual de Minas Gerais e, então, governador de Minas, Juscelino Kubitschek, que pediu ao arquiteto Oscar Niemeyer, no início da década de 50, para projetar uma escola em um prédio moderno, sem muros, que funcionasse como uma universidade para a formação de elites [...]

União em torno da história de liberdade e inovação no ensino mineiro

Em meados de 2023, juntei-me a um grupo de colegas do Colégio Estadual Central, em Belo Horizonte, com a participação da professora Lulia Queiroz, experiente educadora na área pública e professora associada da Fundação Dom Cabral, para discutirmos como dar apoio aos alunos, professores e à equipe de direção do colégio, e retribuir a excelente formação que tivemos no ensino básico, em uma instituição pública que é lembrada sempre como modelo de excelência em Minas Gerais e no Brasil.

Desde o primeiro momento, buscamos conhecer exemplos de países que alcançaram altos níveis de desenvolvimento econômico, social e democrático, priorizando investimentos na educação básica, com uma gestão eficiente nas escolas e investimentos na valorização e formação contínua dos professores. E, também, os casos isolados de iniciativas bem-sucedidas, no Brasil, de apoio ao ensino fundamental e médio em escolas públicas.

De forma ainda pouco estruturada, a ideia era identificar formas de participação da comunidade de ex-alunos e da comunidade, de modo geral, nesse esforço de apoio à educação pública no Brasil.

História

Voltando um pouco na história, o colégio teve início em Ouro Preto, em 1854, sob o nome de Liceu Mineiro, e depois foi transferido para Belo Horizonte no final do século XIX. A sede atual do colégio foi idealizada pelo ex-aluno do Colégio Estadual de Minas Gerais e, então, governador de Minas, Juscelino Kubitschek, que pediu ao arquiteto Oscar Niemeyer, no início da década de 50, para projetar uma escola em um prédio moderno, sem muros, que funcionasse como uma universidade para a formação de elites, de cidadãos e profissionais capazes de atuar como protagonistas em projetos de modernização de Minas Gerais e encaixe no plano de desenvolvimento do país. Como ocorreu mais tarde, na construção de Brasília, os prédios modernos simbolizavam para JK o investimento no futuro do país. O conjunto arquitetônico foi inaugurado em 1956 e completou 70 anos agora em março de 2026.

Em sua tese de doutorado, a professora Aleluia Heringer Lisboa coloca em destaque essa ideia de uma “escola sem muros”: “A sensação de liberdade compõe a memória preservada. A escola tinha como princípio pedagógico o autogoverno, ou a “liberdade consentida”, conforme expressão do próprio reitor Heli Menegale, em 1953.

Liberdade e responsabilidade

A proposta do arquiteto Oscar Niemeyer, de projetar um espaço marcado pela ausência de muros, monumentalizou, concretizou e potencializou esse princípio. Não ter muros, em seu projeto inicial, possibilitava a integração da escola com a cidade e o trânsito livre dos alunos, sendo fato marcante na memória daqueles que ali passaram parte de suas vidas. O espaço projetado e a sua utilização constituíram-se como um lugar. Lugar, portanto, construído no dia a dia de seus alunos, professores e funcionários.

Nesse sentido, o espaço é uma das âncoras na representação distintiva da escola. A liberdade, entretanto, tinha um preço que era cobrado no momento dos exames, tanto nas provas regulares como nas de 2ª época. A ausência do acompanhamento direto, policial ou punitivo, deixava a cargo do aluno o exercício de encontrar o equilíbrio entre a autonomia e a responsabilidade pelos seus atos. A construção da memória da liberdade passa também por essa experiência de administrar o próprio tempo e do uso dos espaços disponíveis.”

Essa nossa memória do Estadual Central, uma escola de excelente nível acadêmico e de liberdade, que formou várias gerações com forte presença de ex-alunos em posições de destaque no Brasil, e também em outros países, nos levou à criação da AEXA, Associação dos Ex-Alunos e Amigos da Escola Estadual Governador Milton Campos (antigo Colégio Estadual Central).

AEXA

A AEXA foi registrada em 2024, com a missão de preservar o legado da instituição e impulsionar seu futuro. Entre seus principais objetivos estão: apoiar ações de melhoria contínua da educação; promover a história e identidade da escola; colaborar com sua gestão administrativa; conservar e valorizar o patrimônio físico; e fomentar a integração entre ex-alunos e atuais estudantes. Desde o primeiro momento tivemos o apoio do governo estadual, por intermédio da Superintendência Regional de Ensino Metropolitana A, e da direção da escola.

A Associação é gerida por uma Diretoria Colegiada, um Conselho Consultivo e um Conselho Fiscal.

Os próximos passos incluem o desenvolvimento de programas e projetos e ações que viabilizem a atuação da AEXA nos curto e médio prazos, com a ampliação do número de associados, em especial de ex-alunos das últimas décadas, e a busca de patrocínios e parcerias com pessoas jurídicas, empresas e entidades de apoio a projetos na área de educação.

Afonso Cozzi é Engenheiro e Mestre em Administração pela PUC Minas, Membro da Diretoria Colegiada da Associação dos Ex-Alunos e Amigos da Escola Estadual Governador Milton Campos (antigo Colégio Estadual Central), foi Diretor da Fundação Dom Cabral – FDC

Compartilhe esse artigo: