
Hoje é dia do aniversário de minha amada, que com seus encantos, sedução e mistérios ocupou todos os espaços de meu coração, vazios de minha alma, satisfação de meus desejos e sonhos acalentados de vida. Quando a encontrei, pela primeira vez, na doce juventude da inquietação, senti que um novo caminho se abria e uma nova ordem me inspirava, um novo poder a se fazer presente, a ocupar meus pensamentos a todo instante. Fiz a mais importante entrega que os desafios da vida me proporcionaram, me rendi e me entreguei a ela. Passei a cumprir o mandamento de Santo Agostinho, que certa vez disse: “A medida do amor é amar sem medida”.
Uma das primeiras coisas que a experiência da vida já tinha me ensinado é que nunca encontramos a mulher, ou homem, perfeitos. Pessoas foram feitas para se entenderem, aprenderem se, construírem se no outro, seja para o amor, amizade, trabalho ou qualquer relação que os unam. Ao longo dos anos tivemos, e temos, oportunidades de nos identificar, sermos mais próximos, nos tornar transparentes e ajustados um ao outro. Não nascemos prontos nem em perfeita sintonia, conquistada ao longo do tempo, muitas vezes com dores e sofrimentos. Não tivemos somente alegria e prazeres, ao contrário, as provações foram e são cotidianas. Os dias são diferentes, os problemas antigos e novos têm a mania e insistência de continuarem a acontecer, sejam em forma das circunstâncias, visões contraditórias, pequenos e grandes problemas normais, opiniões, manias ou estilos. Na verdade, o que mais nos ensina o amor é renunciar. Abrir mão de, em favor de uma causa maior, pequenos e irrelevantes pontos de vista ou egoísmos tolos, que em nada fazem melhor a vida.
Um fator tem sido fundamental para a manutenção deste amor, e ele se chama respeito. Respeito à pessoa, ao seu espaço, à sua forma de pensar e muitas vezes discordar, às suas ideologias, sonhos e projetos. Claro, quando existe a comunhão de ideias comuns é a perfeita união do sonhar a dois, construir e dividir aquilo que inspira e faz crescer. Aliás, no conturbado mundo de hoje, onde ter ideias diferentes passou a ser razão de brigas e inimizades, a humildade precisa ser praticada permanentemente. Ninguém é dono da verdade, nem tem o poder de fazer prevalecer suas vontades. O amor é, e será sempre, uma arte a ser aprendida na vida. “Se quisermos aprender como se ama devemos proceder do mesmo modo como agiríamos se quiséssemos aprender qualquer outra arte, seja a música, dança, pintura, medicina ou engenharia.”, na ótima afirmação do Psicólogo Erich Fromm. A expressão “Deus é amor” é o melhor conceito que nós, Cristãos, podemos ter de nossa grandeza, nunca de nossa queda. Quando dizemos que estamos “caídos” de amor, queremos expressar exatamente o contrário: estamos elevados pelo amor. Feliz aniversário, meu amor.
Nestor de Oliveira é Jornalista e Escritor



