Anunciar uma visita é fácil. Difícil é conseguir autorização para fazê-la acontecer.
O presidente argentino Javier Milei quer encontrar Jair Bolsonaro no próximo dia 24 de julho, antes de seguir para São Paulo, onde participará da Convenção Nacional do PL que deve oficializar a candidatura de Flávio Bolsonaro ao Planalto. O problema é que, antes de cruzar a porta da residência do ex-presidente, será preciso passar pela mesa do ministro Alexandre de Moraes.
Pela regra imposta pelo Supremo, qualquer interessado num cara-a-cara com Bolsonaro precisa protocolar um pedido formal no processo. Até a última sexta-feira, segundo informou o STF ao CAPABRASIL, nenhuma solicitação havia sido apresentada. A Embaixada da Argentina, questionada sobre o assunto, preferiu o silêncio.
E não basta conseguir o aval. Se isto ocorrer há restrições, em geral. Nada de celular, fotos, vídeos ou transmissões nas redes sociais. Descumprir as condições pode render consequências judiciais até para o visitante, ainda que ele ocupe a Presidência de um país.
Bolsonaro é um condenado a 27 anos e 3 meses de prisão, por tentativa de golpe de estado e outros crimes, podendo receber livremente apenas seus advogados, médicos previamente autorizados e pessoas já avaliadas pela Justiça, além de quem vive na residência.
Vale lembrar que quando Lula esteve preso na Superintendência da Polícia Federal, em Curitiba, o ex-presidente uruguaio José Mujica precisou de autorização para estar com o petista companheiro, em 2018. Recebeu sinal verde para uma conversa de apenas 15 minutos – rigorosamente controlada.
No fim das contas, entre a vontade política de Milei e o encontro com Bolsonaro existe um personagem que continua com a última palavra: Alexandre de Moraes. O presidente argentino já falou mal do ministro várias vezes, classificando suas decisões como “censura” e “opressão típica de tiranos”. Haverá troco do magistrado?



