O bate-boca entre Luiz Inácio da Silva e Flávio Bolsonaro, no domingo (18), na TV Bandeirantes, foi tudo, menos um debate. Chamar aquilo de controverso é ofender a palavra e a inteligência dos brasileiros.
E ficou a dúvida: se Lula perder no próximo domingo, haverá passagem da faixa presidencial? Ou teremos mais um capítulo da política do ressentimento?
A cerimônia é simbólica. A transição de governo, não. O que importa é garantir a troca de informações estratégicas, a continuidade dos serviços públicos e o funcionamento da máquina administrativa. Sem birra, sem picuinha, sem retaliação.
Jair Bolsonaro não passou a faixa para Lula, em 2023. Em 1985, João Baptista Figueiredo se recusou a participar da transmissão do cargo a José Sarney.
Muda-se o presidente, repete-se o constrangimento.
A faixa não pertence a quem a veste. É da República. E a obrigação de quem deixa o poder é respeitar as instituições, não alimentar mágoas pessoais.
Porque democracia não é cerimônia. É responsabilidade. O resto é teatro – e desse, convenhamos, o Brasil já está cansado.



