
Algumas redes de comunicação sempre influenciaram, negativamente, na cultura, nos costumes, nos acontecimentos esportivos e outras coisas mais de uma nação, o que sempre significou um grande atraso.
Aqui no Brasil temos muitos exemplos onde um poderoso conglomerado jornalístico sempre meteu o bedelho no que caminhava corretamente e, prá aumentar o seu lucro, acabavam atrapalhando o que estava dando certo vejam bem:
Antigamente a corrida de São Silvestre era um programa sagrado para o povo na passagem do ano, aí a tal emissora passou a corrida para o outro dia, uma intromissão brusca na vida de muita gente!
A grande escritora Carolina Maria de Jesus conta no seu maravilhoso livro, Quarto de Despejo, que esse dia era sagrado para quem, como ela, morava nas favelas. A dela, a do Canindé, descia em peso para onde se daria a largada da corrida, em frente ao jornal Gazeta Esportiva, conseguindo comemorar a passagem do ano com muita alegria, fervor, muita comida que ganhavam, enfim…, eles aguardavam o ano inteiro para essa data sagrada. Hoje não há mais, a emissora transferiu a corrida para o outro dia onde milhares de pessoas, de todo o Brasil, participam num autêntico frenesi midiático, mas tiraram o pão e a alegria dos mais necessitados, para colocar nas suas bocas gulosas, uma pena!
No desfile de Carnaval do Rio de Janeiro aconteceu uma coisa semelhante. As pessoas iam assistir a essa monumental festa, ficavam na rua para ver os grandes blocos passarem e os maravilhosos sambistas, com o verdadeiro samba, e no pé, bastante faceiros… era um sucesso!
Depois que a tal emissora começou a comandar o espetáculo a coisa transformou, para pior. Nos desfiles, a avenida passou a ficar cheia de “colossais navios alegóricos“, os sambas de enredo, antes com dois parceiros, passaram a contar com mais de dez devido à vantagem que a vendagem dos discos proporcionava, um horror!
No futebol também a coisa foi para o corner. As partidas passaram a só começar depois das novelas, espantando o torcedor do estádio pois para a emissora, o mais lucrativo era que eles assistissem em casa para dar mais ibope, quer dizer: mais lucro! Além do mais, iniciou- se uma overdose de campeonatos e de partidas.
Anteriormente os grandes clássicos: FLA × FLU, Palmeiras × Corinthians…, só aconteciam duas ou tres vezes ao ano, agora eles disputam até oito partidas na temporada, ninguém aguenta mais!
Poderíamos citar muito mais pois a interferência é muito grande, mas ficaremos só com mais duas.
O grande Rolando Boldrin, tinha um programa maravilhoso aos domingos de manhã, o som Brasil. Ali havia música genuinamente brasileira, com caipiras de responsa, poetas populares maravilhosos, contadores de causos, como o próprio Boldrin…, enfim logo de manhã sentíamos o orgulho de ter nascido nessa terra! Como nos outros casos citados, o departamento comercial da emissora, pediu para ele incluir um certo tipo de “musga” que estava surgindo na época, a “Sertanoja“, que está aí até hoje, pertubando a quem gosta de música de qualidade, como esse locutor que vos fala. O Boldrin, simplesmente, saiu fora diante da intromissão indevida, uma pena, mas muito amor à nossa bela cultura.
Outra que perturbou bastante foi a Xuxa, fazendo um programa infantil (?) sem nenhum caráter pedagógico, lançando moda de gosto estranho e não infantil, incentivando as crianças, sobretudo as meninas, subliminarmente, para se espelharem em mocinhas ainda que elas não estivessem na época ainda, outro horror!
Muita coisa acontecia e acontece até hoje, mas o mais paradoxal que se possa imaginar é que a mesma emissora vivia e vive falando mal da educação e cultura desse país e seus Ministérios, sem se mancar que qualquer programa sério que fosse elaborado na educação na cultura e em outros, eles derrubariam em poucos minutos como fizeram várias vezes, tenho dito!
José Emílio é Engenheiro Sanitarista e Jornalista




