
Sabemos que Minas Gerias é o “swing state” brasileiro.
Não gosto do termo “Estado Pêndulo”, muito mal atribuído ao nosso Estado. “Pêndulo” dá a ideia de “vai prá lá, vai prá cá”, ideia muito diferente do “swing state”, onde o eleitor consciente vota mais à “esquerda” quando o país vai muito para a “direita”, e mais à “direita” quando país vai mais para a “esquerda”, como Ohio nos Estados Unidos, Estado geograficamente central e com os três tipos de economia, mineração, indústria e agropecuária, representando a média do país, como Minas Gerais no Brasil.
Desde 1950, todo Candidato(a) que ganhou para Presidente no Brasil ganhou também para Presidente em Minas Gerais, e vice-versa.
No Brasil, as eleições vão se delineando. A polarização se auto sustenta, com poucas possibilidades do crescimento de uma 3ª via. Pesa a favor de Lula sua maior estabilidade e previsibilidade nas ações, e contra Lula a economia e o equilíbrio fiscal. Pesa a favor de Flávio Bolsonaro ser o anti-Lula, e contra a sua falta de experiência administrativa e imprevisibilidade em suas ações. No jogo das rejeições, definidora das eleições, com ambos os candidatos apresentando rejeições acima de 50%, a rejeição de Flávio Bolsonaro situa-se em patamar acima da de Lula, com melhores chances para Lula no 2º turno, no quadro atual. As condições para o crescimento de uma 3ª via também estão presentes, devido ao alto grau de rejeição a Flávio Bolsonaro e Lula.
Em Minas Gerais, Cleitinho, aliado de Flávio Bolsonaro, lidera incialmente nas pesquisas das eleições. Na pesquisa Quaest, Cleitinho liderava com 35% das intenções de voto antes do início do período eleitoral, hoje em 29%. E Patrus Ananias que se situava ligeiramente atrás de Kalil, hoje tem 11%, Kalil 10%. Minas é assim, primeiro indica sua indignação, depois vota com avaliação. Cleitinho e Patrus Ananias devem ir para o 2º turno, com a rejeição de Cleitinho então superando a de Patrus Ananias no 2º turno, com melhores chances de vitória para Patrus Ananias, no quadro atual. As condições para o surgimento de uma 3ª via estão também presentes, do grupo que anseia sair da polarização.
No Rio de Janeiro, Eduardo Paes, e em São Paulo, Tarcísio de Freitas. Vai se formando assim o “Triângulo da Bermudas” da política brasileira.
A ver.
Ricardo Guedes é Ph.D. em Ciências Políticas pela Universidade de Chicago e CEO da Sensus



