COLUNA RONALDO HERDY

A sabatina entrou de férias

O Senado resolveu que a sabatina do desembargador Sérgio Torres Teixeira, indicado por Lula para ocupar a vaga aberta no TST pela aposentadoria da ministra Dora Maria Costa, pode esperar. Afinal, o Congresso entrou em recesso e, para muitos parlamentares, o calendário parece trabalhar contra o relógio do país e a favor do descanso de Suas Excelências.

Não deixa de ser curioso. Enquanto milhões de brasileiros discutem a jornada de trabalho, a PEC que reduz a carga semanal para 40 horas e assegura dois dias de folga na semana segue esquecida na Mesa Diretora. Já os senadores desfrutam, há anos, de um regime de trabalho que qualquer assalariado comum invejaria: recesso de fim de ano que atravessa mais de um mês e férias em julho. Somadas, ambas são capazes de fazer corar qualquer convenção coletiva.

A indicação de Sérgio Torres dificilmente encontrará resistência quando finalmente chegar à Comissão de Constituição e Justiça – e depois ao Plenário. Não se espera uma batalha como a que costuma cercar uma vaga no STF. Nos bastidores, a discussão não é sobre a qualificação do magistrado pernambucano, reconhecida até por adversários, mas sobre a preferência política. Quem acompanha o processo de perto diz que o ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, via com melhores olhos a desembargadora Maria Nazaré Medeiros Rocha, do TRT da 8ª Região (Amapá e Pará), primeira na lista tríplice enviada pelo TST ao Planalto. Também figurava na relação Hermenegilda Leite Machado, do TRT13 (Paraíba).

No fim das contas, a escolha já foi feita por Lula. O que falta agora é o Senado concluir o descanso para cumprir uma das funções elementares que a Constituição lhe atribui: sabatinar e votar. Não parece pedir tanto.

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