
O nosso país é privilegiado em muitos aspectos pois temos um clima muito bom, frutas maravilhosas… Dizem que ninguém tem a Jabuticaba, só aqui, dizem! Também tivemos um futebol cinematográfico com craques deslumbrantes, agora, no lugar, está surgindo, para o mundo, um cinema de espetacular qualidade, uma maravilha! Temos um povo, criativo, trabalhador miscigenado, mulheres esplendorosas, inclusive na beleza.
Claro que também, por aqui, muita coisa ruim acontece. Uma parte da população é racista, misógina, fascista, preconceituosa…, enfim. Em compensação, a nossa música é de uma delicadeza profunda com grandes compositores, letristas, maestros, instrumentistas de responsa, cantoras e cantores maravilhosos… O mundo se ajoelha diante das nossas melodias, harmonias…
A música brasileira é considerada, junto à cubana e a americana, como as melhores do mundo, sendo que a nossa tem muito mais diversidades que as demais. Nesse quesito ela é imbatível!
A nossa música é tão fantástica que muitas histórias sobre ela desfilam mundo afora. Garimpei uma genial que pouca gente conhece. Acontece que uma família mineira morou na Inglaterra nos anos cinquenta, mais precisamente em Liverpool. Eles tinham por hábito colocar na vitrola, todos os santos dias, música barroca mineira e música caipira, a verdadeira. Aquilo atraía um séquito de admiradores da música de boa qualidade, sobretudo pelo desconhecimento dessa boa nova sonora, uma grande novidade para eles.
Dentre aqueles vizinhos, havia um cabeludo chamado Paulo que não perdia uma seção. Ficava ali, de “butuca”, como dizem aqui, degustando a sonoridade, vinda não “sei de onde, prá onde ou de quem”!
Quando soubemos dessa história, fomos procurar o patriarca da família que já estava morando, novamente, no interior de Minas e que nos contou coisas dessa época em Londres, com riquezas de detalhes. O tal de Paulo, segundo ele, ficou famoso e nunca mais deu notícias ali no pedaço. O Paulo em questão, para quem ainda não desconfiou, era o Beatle que se tornou famoso, de sobrenome McCartney e que era o vizinho dos mineiros em Liverpool.
Fazendo uma pesquisa com maior profundidade sobre esse assunto, verificamos muitos elementos em comum entre o barroco mineiro, a música caipira e algumas fases dos Beatles e não estou sonhando, apenas constatando um fato muito maravilhoso, pouco conhecido e que, nessas alturas, deve estar sendo tratado com ceticismo por várias pessoas!
A música do Brasil tem sido vilipendiada ultimamente, só que isso que anda tocando por aí não pode ser chamado de música e sim de ” musga”, feminino do musgo, uma coisa chata que gruda pois não tem harmonia, melodia, as letras são meros sofrimentos, uma coisa! Elas ocupam todos os espaços possíveis na mídia e, consequentemente, enchem (no mal sentido também!) os locais onde se apresentam.
Tudo isso começou quando o Collor de Melo foi eleito presidente(?) da república e vivia carregando esse pessoal prá baixo e prá cima, uma agonia sem fim, prá quem gosta da música de boa procedência. A coisa é tão mentirosa que quando o tal Collor estava lançando a sua candidatura ele deu uma entrevista numa dessas revistas masculinas e, dentre outras coisas, ele disse: adoro os Beatles, Rolling Stones, MPB… De repente, quando ele foi eleito(?), duas mentiras afloraram, a dele que se dizia um admirador da boa música e a música sertanoja que utilizou essa prosopopéia mentirosa e está aí até hoje, um escândalo para os ouvidos privilegiados.
Vejam bem o que um “mala” é capaz de fazer contra a cultura de um país! Não é de bom alvitre termos preconceito contra qualquer coisa, mas nesse caso é o pós-conceito que nos recompensa. Essas músicas ocupam o maior espaço na mídia, o que é um contrassenso, pois muita coisa boa fica sem divulgação.
O grande Paulinho da Viola tem quase quarenta anos que não lança um disco novo enquanto: Zé Mané e Manezinho, Zezé de Amargo e Amargano.., quase todos os dias lançam um novo disco(?), além de que, seus shows(?), são divulgados por quase todo o Brasil e, cá prá nós, é um sacrilégio comparar Paulinho da Viola com tais duplas(?), não é mesmo? ‘
O certo é que a nossa música verdadeira é muito aplaudida e universal. Mesmo num patamar mais simples, ela já foi muito interessante. Na época em algumas delas eram taxadas de música “baranga” ou “de zona” pelos mais puristas, muita coisa curiosa aparecia, com melodias e letras criativas, ao contrário dessas que, atualmente, fazem sucesso(?) e lotam estádios, ginásios… um horror!
Lembro-me muito bem quando fui assistir ao maravilhoso filme: “Lúcio Flávio, o Passageiro da Agonia”, onde tem uma cena em que os atores se encontram no chamado, baixo meretrício, e devidamente, sentados escondendo da polícia, quando um naipe de metais entra em cena introduzindo, espetacularmente, a música “Eu vou rifar meu coração, vou fazer leilão…”, na voz de Lindomar Castilho, o cinema quase veio abaixo, inclusive em outras seções, conforme fiquei sabendo, uma coisa de louco!
Não podemos, nem de longe, comparar as músicas consideras barangas dessa época, com os bagaços que estão em evidências(?) na mídia hoje em dia. Sou de um tempo, da época dos festivais de música da MPB. No outro dia das apresentações pela televisão, a garotada, no colégio, passava o dia discutindo se: “Disparada” era melhor que “A Banda”, se “Travessia” era melhor que “Apareceu a Margarida”, do Guarabira. Eles discutiam com gosto e razão, como se tivesse acontecido uma final de campeonato, uma delícia!
Só sei que a música feita no Brasil é de uma maravilha inconteste e podemos comemorar muito sobre esse assunto. Se bem que esses dias entrei em um bar, num domingo de manhã, e estava passando na Globo um programa (?) que me disseram chamar, “Domingo Sertanejo”, um grande horror, que o nosso grande Rolando Boldrin, que deve estar dizendo lá no lugar mais honrado em que uma pessoa de bem que passou dessa para outra, deva estar:
– “Não aprenderam nada até hoje, xôs!”
José Emílio é Engenheiro Sanitarista e Jornalista



