
Qualquer comunidade que se preza nesse mundão de Deus, deve ter o seu saneamento básico tratado com muito respeito, carinho e responsabilidade.
Os nossos povos originários, que habitaram esse país nos primórdios, deixaram um legado fantástico nessa questão e que, infelizmente, os herdeiros de agora não estão cumprindo com o amor de índio quando o assunto é a natureza, meio ambiente… Eles sempre cuidaram com muito louvor e consciência dessas coisas pois sabem que a sua sobrevivência e dos seus, depende da conservação da terra mãe e das circunstâncias que os cercam.
A não ser pelas atitudes deles, não se tem notícias de alguém que cuida com tamanho amor e dedicação das florestas, dos rios, dos pássaros e dos outros animais, enfim. Muito pelo contrário, temos visto é a ganância dos garimpeiros poluindo os nossos cursos d’água, o desmatamento provocado pelos fazendeiros para o plantio e criação de animais…
Tudo isso afetando a pureza do ar que respiramos, uma quase tragédia! A população das nossas cidades sofre muito com isso pois, além de não ter uma educação onde a preservação do meio ambiente seja uma lição obrigatória, o poder público também não impõe muitas regras a favor da preservação ambiental.
Diante desse caos urbano os cidadãos sempre foram servidos com águas “in natura”, vindas dos córregos poluídos por eles mesmos, que também não sendo atendidas por redes de esgotos sanitários, na grande maioria das vezes, tiveram que utilizar de fossas sépticas para devolverem, com o tempo, os dejetos para os cursos d’água oferecidos para o consumo da população indefesa, em forma de água bruta. Um ciclo quase letal para o ser humano.
A mortalidade infantil, por essa razão, sempre foi enorme e a população, em geral, padece diante da enorme insalubridade instalada. Os municípios desse país, sempre foram inertes diante do grave problema pois praticar um saneamento básico de qualidade sempre foi muito oneroso, e a maioria deles nunca tiveram as mínimas condições para tal.
Até que surgiu um programa do governo federal, intitulado Planasa, tornando possível aos estados, criar as suas próprias empresas de saneamento básico com abrangência aos municípios, um socorro para os irmãos menos favorecidos. Com o tempo e a grande adesão das cidades às companhias de saneamento, a mortalidade infantil caiu vertiginosamente, bem como outras comorbidades que sempre afligiu a população, um grande progresso para a saúde dos nossos habitantes.
Quando as coisas começavam a melhorar, com o tratamento e distribuição da água potável e a disseminação, entre a população, da cultura do tratamento do esgoto sanitário, os burburinhos das privatizações das empresas de saneamento básico começaram a aparecer.
Um grande retrocesso social estava a caminho, como sempre aconteceu nessa terra, quando as coisas estavam dando certo. O apego de parte da imprensa e de certos empresários pelas privatizações de tudo nesse país sempre foi uma obsessão, nem se importando com os futuros e possíveis incompetências delas.
Foi o que como aconteceu na privatização da Eletropaulo, companhia que serviu, brilhantemente, o estado de São Paulo por longos anos e foi substituída pela tal de Enel, empresa italiana, que está causando o maior desastre aos consumidores na cidade e no estado. Quando estava para ser privatizada a Sabesp, há cerca de dois anos, toda uma campanha negativa foi feita, pela imprensa para desmerecer os serviços praticados pela maior empresa de saneamento básico do país. Uma coisa orquestrada, vergonhosamente, pelo governo(?) de São Paulo que inclusive a privatizou a preço de banana e as consequências, a população já está sofrendo gravemente.
Agora em Minas esse assunto resplandece, a privatização da estatal mineira é destaque aqui e o mesmo filme a que assistimos e ouvimos pela imprensa Paulista, quando da privatização da Sabesp se repete, uma vergonha! O modus operandi parece ser o mesmo. Além da imprensa(?), os interessados por essas questões são os de sempre: os locatários da Faria “Lama” e adjacências, antro do empresariado nacional além de quase toda mídia do estado, quase toda patrocinada pela estatal mineira e que, a cada dia, solta mais matérias tentando incutir nos consumidores daqui, os falsos horrores praticados pela concessionária em questão, numa clara intenção de colocar a opinião pública contra a empresa perante a população.
Na oportunidade, fizemos uma pesquisa entre alguns antigos funcionários da empresa e outros, ainda na ativa, sobre essa questão e recebemos como resposta:
– “Nunca vimos tanta paralisação no sistema de abastecimento de água como nos últimos tempos, o que traz o caos sanitário para os moradores, sobretudo para os menos favorecidos”.
Aí, insistimos nessa questão tão delicada, sobre as paralisações que estão acontecendo quase que diariamente e obtivemos como resposta:
– “As interrupções sempre aconteceram para que as bombas, os motores as peças mecânicas e elétricas, as conexões, tubulações…, tivessem uma manutenção adequada e satisfatória e, caso necessário, substituídas fossem. Da mesma forma, verificar se a qualidade da água das estações de tratamento estivejam dentro dos padrões adequados. Essas operações eram feitas, no máximo, duas vezes ao ano e pronto. As outras paralisações eram de emergência quando acontecia algum acidente no sistema por um motivo qualquer”.
Continuando o diálogo, esclarecemos uma dúvida pois em quase todos os dias, durante os trezentos e sessenta e cinco do ano, a imprensa divulga, diuturnamente, sobre tal bairro que vai ficar tantos dias sem água.
– “Isso sempre foi assim?”
– “Aqui não, meu senhor, isso vem acontecendo de uns tempos prá cá” – nos disse um antigo funcionário que não quis, com razão, ser identificado.
Chegamos à conclusão pelos vários depoimentos colhidos que isso é um massacre midiático a que a população vem sofrendo para ficar ao lado dos alquimistas da privatização.
A maior covardia de tudo isso é que as paralisações sempre ocorrem, na grande maioria das vezes, nos bairros mais humildes. Nos outros locais, onde a população tem uma condição muito melhor, acontece também, mas só nas grandes interrupções da distribuição da água do sistema ou nas inevitáveis operacionais, quando acontece algum acidente com as tubulações. Quer dizer, aos mais carentes, paralisação a todo tempo, um desrespeito total que precisa ser denunciado!
Enquanto isso a famigerada privatização vai indo de vento em popa, como dizem. Se bem que o ministério público precisa saber dessas mutretas praticadas pelos dirigentes, imprensa…, e agir diante de tais trapaças da sorte.
Essa cultura que anda em voga das privatizações é uma questão muito agressiva para quem tem experiência na área, foi treinado para tal e, de repente, aparece uma empresa “vencedora”(?), que demite quarenta por cento dos empregados, sobretudo os mais capazes que foram bem treinados pois a filosofia deles sempre foi o lucro em primeiro lugar e… Diminuir o quadro de funcionários não importa e, azar para o consumidor. Quer dizer, jogam fora o que foi formado na empresa durante anos, para diminuir os custos da futura concessionária(?).
Diante das várias opiniões à respeito dessa questão da privataria reinante no pais, onde economistas, jornalistas, sociólogos, engenheiros, governadores(?), sempre dão as suas opiniões, cheios de razão e sabedoria(?), à respeito, e cada um deles com um discurso mais desafinado, fomos procurar um mestre, o senhor Demerval, um senhor das antigas, daqueles mais sábios, que têm por um hábito saudável e tradicional, ouvir todos os dias a voz do Brasil, e é chegado numa prosa boa e saudável, enfim, um filósofo muito popular na comunidade dele que nos disse, depois de uma indagação pertinente sobre todas essas questões citadas:
– “Olha meu amigo, tenho visto esse pessoal que é metido a saber de tudo, isso em todas as áreas. Ocorre que esses dias eu fiquei pensando bem: se a maioria desse pessoal fosse cirurgiões, com esse tanto de opiniões formadas e desvairadas, eu garanto que quase todos os pacientes cuidados por eles iriam morrer pois nunca vi errar tanto feito eles nas opiniões e nos prognósticos das coisas, são e sempre foram, quase todos, muito equivocados!”
Depois dessa brilhante opinião do senhor Demerval, podemos concluir que estão tratando o saneamento básico e outras coisas importantes nesse país, com uma desimportância que elas não merecem.
José Emílio é Engenheiro Sanitarista e Jornalista



