
Uma guerra pode durar anos. A Guerra Anglo-Zanzibari, travada em 27 de agosto de 1896, terminou em cerca de 40 minutos e é geralmente considerada a guerra mais curta da história registrada.
O conflito ocorreu em Zanzibar, arquipélago da atual Tanzânia, na costa oriental da África, hoje famoso por suas praias de areia branca e águas azul-turquesa. Na época, porém, Zanzibar era um protetorado sob forte influência britânica.
Após a morte do sultão Hamad bin Thuwaini, seu primo, Khalid bin Barghash, assumiu o poder sem o consentimento britânico. O Reino Unido apoiava outro candidato ao trono e deu um ultimato a Khalid: ele deveria deixar o palácio até as 9 horas da manhã. O novo sultão recusou e reuniu cerca de 2.800 homens para defendê-lo.
Às 9 horas, navios britânicos começaram a bombardear o palácio. A resistência foi rapidamente destruída, o iate real de Zanzibar foi atingido e Khalid fugiu. Por volta das 9h40, o confronto havia terminado.
Apesar da duração extraordinariamente curta, a batalha foi violenta: estima-se que cerca de 500 defensores de Zanzibar tenham morrido ou ficado feridos, enquanto, do lado britânico, houve apenas um marinheiro ferido.
Os britânicos colocaram Hamoud bin Mohammed no poder, reforçando seu domínio sobre Zanzibar. O território permaneceu como protetorado britânico até conquistar a independência, em 1963.
Poucos meses depois, em 1964, Zanzibar uniu-se à Tanganica, dando origem à atual Tanzânia, nome formado pela combinação de Tanganica e Zanzibar. Naquele momento, o Reino Unido já não exercia poder colonial sobre nenhum dos dois territórios: a Tanganica havia se tornado independente em 1961 e Zanzibar, em 1963. Hoje, Zanzibar continua fazendo parte da Tanzânia, mas mantém autonomia em diversos assuntos internos.
Assim terminou uma guerra que entrou para a história não por anos de batalhas, mas justamente pelo contrário: em menos tempo do que dura uma partida de futebol, tudo estava decidido.



