Você Aperta o Botão: A História por Trás da Kodak

Aos 24 anos, George Eastman já estava cansado de lutar contra a própria fotografia. No fim do século XIX, registrar uma imagem era quase um ritual alquímico: câmeras enormes, placas de vidro delicadas, líquidos instáveis e uma preparação demorada antes de [...]

Aos 24 anos, George Eastman já estava cansado de lutar contra a própria fotografia. No fim do século XIX, registrar uma imagem era quase um ritual alquímico: câmeras enormes, placas de vidro delicadas, líquidos instáveis e uma preparação demorada antes de cada clique. Escriturário de banco em Rochester, ele decidiu que aquilo não fazia sentido. Se a fotografia era tão fascinante, por que precisava ser tão complicada?

Da inquietação nasceu a mudança. Eastman começou pelas placas secas de gelatina, que libertaram os fotógrafos do processo úmido e improvisado. De repente, não era mais preciso montar um laboratório a cada cena. O peso diminuiu, a agilidade aumentou  e a atenção pôde se voltar ao que realmente importava: luz, enquadramento, momento.

Mas ele queria mais do que facilitar a vida dos profissionais. Desenvolveu o filme flexível em rolo, capaz de registrar várias imagens em sequência sem a troca constante de placas de vidro. Em seguida, aperfeiçoou o material com uma base transparente de celuloide, eliminando a textura do papel e estabelecendo o alicerce técnico que sustentaria tanto a fotografia moderna quanto o cinema nascente.

Em 1888, surgiu um nome curto, sonoro e inesquecível: Eastman Kodak Company. A câmera Kodak original vinha pequena, prática e já carregada. O slogan dizia tudo: “Você aperta o botão, nós fazemos o resto.” O usuário fotografava, enviava a câmera à empresa e recebia as cópias prontas  junto com o equipamento recarregado. Pela primeira vez, a complexidade ficava invisível para quem só queria guardar memórias.

No início do século XX, a Brownie levou essa revolução às últimas consequências. Simples e barata, foi pensada para amadores até mesmo crianças. Fotografar deixou de ser privilégio técnico e financeiro. Tornou-se hábito doméstico, companheira de viagens, aniversários, testemunha das pequenas histórias que antes se perdiam no tempo.

Ao padronizar cartuchos, permitir recargas à luz do dia e criar um modelo de negócios baseado em câmeras acessíveis com venda recorrente de filme e revelação, Eastman não apenas lançou produtos, ele estruturou uma indústria inteira. Mais do que inventor, foi o estrategista que transformou a fotografia em gesto cotidiano e ajudou a moldar a cultura visual que definiria o século XX.

Perfeccionista e obstinado, Eastman acreditava que inovação não era apenas inventar algo novo, mas torná-lo simples o suficiente para qualquer pessoa usar. Essa filosofia orientou cada decisão técnica e empresarial que tomou. Já consagrado como um dos grandes industriais de seu tempo, destinou grande parte de sua fortuna a universidades, hospitais e instituições culturais, consolidando um legado que ultrapassou a fotografia.

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