Minas sem Educação (por Nestor de Oliveira)

Visitar o site do IBGE, e seu Indice de Desenvolvimento de Educação Básica, é entender as razões do baixo desenvolvimento do Brasil, de uma forma [...]

Visitar o site do IBGE, e seu Indice de Desenvolvimento de Educação Básica, é entender as razões do baixo desenvolvimento do Brasil, de uma forma geral e especialmente o de Minas Gerais. É impossível um país, ou estado, se desenvolverem sem que o seja o seu povo. A formação de mão de obra, a qualificação das pessoas, especialmente nestes tempos de avançada tecnologia, é fundamento essencial para que o país cresça, desenvolva, aumente o seu PIB e melhore sua qualidade de vida. Exemplo do que acontece no mundo, basta olhar a vida de outros povos. A China, Emirados Árabes, Coreia do Sul e tantos outros países investiram fortemente em educação e transformaram a vida de suas populações, em poucos anos, com foco no ensino e cultura de seu povo.   Não é segredo pra ninguém, se as pessoas melhoram a sociedade melhora. Se a sociedade melhora, vive melhor, pode contribuir mais com a vida e desenvolvimento do país, muda o patamar da miséria e fome em favor do equilíbrio econômico e social. Aí entra a triste realidade dos números do censo escolar do IBGE, como bem demonstra as pesquisas de 2024 e as mais recentes do PNAD, Pesquisa Nacional Por Amostra de Domicílios Contínua. A má notícia é que estamos regredindo, especialmente Minas Gerais, nas matrículas do ensino fundamental e ensino médio.

Vamos aos números: Em Minas Gerais, em 2024 foram matriculados 2.328.502 alunos no ensino fundamental, mas somente 737.456 no ensino médio, algo em torno de 30% dos alunos. Eram 10.156 escolas públicas de ensino fundamental e 3.345 e ensino médio. De novo e justificadamente algo em torno de 30% dos estabelecimentos. Minas era o 11º. Estado em número de escolas públicas e 18º em escolas particulares. Para se ter uma ideia em 2008 eram 3,2 milhões de alunos no ensino fundamental e em 2024, são 2,4 milhões. O menor crescimento demográfico não pode ser argumento de tamanho encolhimento, mesmo porque não foi tão grande. Minas Gerais que já teve o orgulho de ser o melhor estado em educação do Brasil, hoje ocupa o nada honroso 6º. lugar. A explicação é fácil – falta de foco, política pública, baixos salários dos professores, desinteresse do estado e seu governo em melhorar o único meio de mudar o patamar de crescimento econômico e social. Bem fez o Tribunal de Justiça de Minas Gerais, em recente decisão unanime, anular o projeto do atual governador, batizado de SOMA, que transferia para organizações da sociedade civil a gestão das escolas públicas mineiras. Ensino é dever do estado, diz a Constituição.   

Bons tempos, em que nos orgulhávamos de ser referência nacional em educação e cultura. Época em que citar um escritor ou poeta de Minas Gerais, como Carlos Drumond de Andrade, era enobrecer nosso ensino e cultura. Hoje, citar Adélia Prado, nossa atual maior poeta, é causar constrangimento ao governador do estado.

Minas Merece Mais.       

Nestor de Oliveira é Jornalista e Escritor

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