
Há fatos acontecendo em relação à administração e modernização da estrutura do futebol brasileiro que podem deixar o torcedor imaginando que está diante do inacreditável. Talvez isto ocorra por ele ter participado do longo é lamentável período da apatia que tomou conta de todo o sistema que operava o nosso futebol.
Além disso, e como geralmente a mídia esportiva brasileira está sempre focada no dia a dia de jogos, atletas e clubes, muitos dos fatos e medidas que estão ocorrendo acabam fora dos informativos ou análises. O que, em se tratando de jornalismo, também não se justifica.
Há poucos dias, por exemplo, ocorreu um episódio relevante e inédito no nosso futebol: uma viagem de trabalhos à Europa, promovida pela CBF, e que reuniu o presidente da entidade e representantes de alguns clubes. Objetivo: estudos sobre as principais Ligas de futebol europeias, estrutura dos seus sistemas de funcionamento e até setores de arbitragens.
Indispensável recordar que há anos a Confederação havia abandonado, por completo, o interesse em se envolver com a criação da liga nacional, de grande relevância para os clubes brasileiros, enquanto na Europa as ligas são fundamentais para o sucesso técnico, financeiro e administrativo do futebol daquele continente.
A comitiva brasileira começou sua visita por Londres, na Inglaterra, dia 8 último, onde os dirigentes estiveram na Football Association, Premier League e nas empresas que se encarregam das arbitragens inglesas, a Professional Game Match Officials Limited (PGMOL), e pelo VAR.
A escala seguinte do grupo foi em Frankfurt, na Alemanha, dia 11, onde os brasileiros estiveram na entidade responsável pela organização da Bundesliga (Liga profissional de futebol da Alemanha), na federação nacional (responsável pelas seleções nacionais, pelas arbitragens e formação de árbitros e treinadores de futebol).
E no dia 14 ocorreu a terceira escala da visita a outro centro avançado em organização de futebol, a Espanha. Em Madri, visitaram La Liga (a forte liga de clubes) a Limite federação nacional de futebol.
Desde os idos de 2020 tenta-se organizar no Brasil uma Liga única e forte. Até então, e como a CBF omitia-se na questão, os clubes, desunidos, continuaram digladiando-se em função apenas dos interesses de suas associações, sem jamais chegarem a um consenso sobre o tema.
Como resultado, os clubes deixaram de copiar o que o primeiro mundo do futebol está a ensinar e se envolveram na criação de dois grupos de 10 equipes em cada um, que eles “apelidam” de ligas. Um grupo tem o nome de Libra. O outro, Liga Forte União (LFU). Os dois só servem para administrar cotas de televisão.
Nos dois grupos, o que menos se discute é tratar com a CBF da possibilidade da chancela, do aval para eles organizarem o campeonato oficial, sua comercialização, arbitragens, calendários. O que é normal na Europa.
Não se aprofundam na indispensável criação da Liga única. Predomina-se a força dos mais fortes e dos mais populares na imposição de grandes vantagens econômicas sobre os demais. Prevalecem individualidades e sobram vaidades.
A esperança é a nova CBF continuar buscando o caminho que os clubes não encontram. A recente viagem técnica com dirigentes das equipes à Europa talvez seja o sinal de que a passagem para este caminho está aberta.
Erasmo Angelo é Jornalista, formado em História e Geografia pela PUC/MG. Foi Redator e Colunista do Jornal Estado de Minas dos Diários Associados, e do Jornal dos Sports/Edição MG, cobrindo o futebol e esportes no Brasil e no Exterior, em Campeonatos Mundiais de Futebol e em Olimpíadas. Atuou destacadamente na TV e na Rádio, na TV Itacolomi, TV Alterosa, Rádio Itatiaia, Rádio Guarani e Rádio Mineira. Foi Presidente da ADEMG – Administração de Estádios do Estado de Minas Gerais, na administração do Mineirão e do Mineirinho. Foi Editor da Revista do Cruzeiro. Autor



