A nova Doutrina Trump (por José Carlos Carvalho)

Com a invasão cirúrgica da Venezuela e o sequestro do Ditador Nicolas Maduro, os EUA consumam as iniciativas que vinham adotando de desconstrução da [...]

Com a invasão cirúrgica da Venezuela e o sequestro do Ditador Nicolas Maduro, os EUA consumam as iniciativas que vinham adotando de desconstrução da Ordem Internacional erigida no segundo Pós Guerra, sob a liderança de Franklin Roosevelt. Trump não retoma apenas os princípios da Doutrina Monroe, ele está adotando a sua própria doutrina, esboçada no Plano de Segurança recentemente lançado.

Um ex Secretário de Estado americano disse que os EUA NÃO TEM AMIGOS, TEM INTERESSES. Esse é o fundamento da nova Doutrina Trump nas relações internacionais: vide a radical mudança nas relações com a União Europeia e com a Rússia; os históricos e tradicionais aliados europeus tratados como adversários e o inimigo russo tratado como amigo.

Com relação a América Latina, a nova posição dos Estados Unidos está mais parecida com a Doutrina do Destino Manifesto, um movimento messiânico do século XIX, inspirado no protestantismo dos colonizadores irlandeses, ocupantes da costa leste, que expandiram as fronteiras para o oeste, em direção ao pacífico, surrupiando do México, aproximadamente, 1.300.000 km2, além da “compra” dos territórios da Louisiana, do Alasca e do Texas, este já sob ocupação americana, à época. Esse fundamento messiânico cabe como uma luva no messianismo de Trump.

Neste contexto, a nova política de segurança adotada por Trump considera a América Latina e o Caribe como sua área de influência exclusiva, uma posição neocolonialista e um imperialismo de última geração, do Alasca à Patagônia Esse é o grande desafio da diplomacia, das autoridades, das lideranças políticas, empresariais e da sociedade civil da América Latina e Caribe: refazer as estratégias diplomáticas e geopolíticas, adaptar a abordagem consolidada desde o segundo pós guerra e construir uma grande aliança regional, acima das questões ideológicas, não para confrontar Trump, mas para defender os legítimos interesses dos Estados e das Nações Latino Americanas e Caribenhas.

Nessa nova ordem, não há espaço para a extrema esquerda, que incensava o Ditador Maduro, nem para a extrema direita que faz a apologia da invasão de um Estado Soberano. Iniciamos 2026 com profundas transformações geopolíticas e o desmantelamento da ordem internacional que vigeu até agora. Resta saber como o mundo irá reagir.

José Carlos Carvalho é Engenheiro Florestal pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, Doutor Honoris Causa pela Universidade e Lavras, Conselheiro do Instituto Inhotim e da Fundação do Desenvolvimento Sustentável da Amazônia. Foi Ministro do Meio Ambiente e Secretário do Meio Ambiente de Minas Gerais. Autor.

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