O trânsito louco das nossas estradas, cidades…, enfim! (por José Emílio)

Um problema seríssimo pelo qual estamos passando nesse país (dentre outros) é o trânsito louco das nossas estradas, cidades, arredores… Todos os [...]

Um problema seríssimo pelo qual estamos passando nesse país (dentre outros) é o trânsito louco das nossas estradas, cidades, arredores… Todos os dias temos notícias, pela mídia, da carnificina provocado por ele e as providências a serem tomadas.

Quase nada de efeito acontece e as famílias continuam muito a sofrer, diariamente, com esses acidentes que doem profundamente na alma das pessoas. Alguns culpam a qualidade das estradas, outros o aumento brutal do trânsito nas rodovias, a impunidade, a sinalização precária…, mas sequer os maiores especialistas chegam a sugerir algo mais factível que possa ser discutido entre o poder público, usuários… O lenga, lenga fica na mídia sem nenhuma perspectiva de ser resolvido.

Andei de ônibus pelas estradas e dentro da cidade por mais de quarenta anos para estudar, trabalhar, passear… e, confesso, eram raríssimos os acidentes, claro que aconteciam aqueles muito graves, mas iguais aos “diários” de agora, nunca!

Estive conversando com um taxista, em Vitória, depois de uma longa corrida e passei prá ele o meu ponto de vista que concordou plenamente pois a experiência dele é, inclusive, internacional, na estrada, seja com ônibus, caminhão, carro de passeio…

Ocorre que antigamente uma pessoa demorava, no mínimo, dois anos para obter uma habilitação, principalmente a profissional: caminhão, ônibus…, atualmente com três meses eles já estão habilitados (?) para colocar seus veículos na estrada, na rua, na chuva, na fazenda…

No quesito motociclista então é um absurdo, basta dar uma volta entre alguns cones que já são considerados aptos (?) para fazerem entregas na cidade, trabalharem de mototáxi, uma verdadeira falta de responsabilidade!

De vez em quando fico ouvindo ou vendo alguns debates sobre esse assunto nas emissoras de rádio, TVs e sempre mando a minha opinião qual seja: a maioria dos motoristas que estão rodando por aí não tem condições de fazê-lo pois em apenas três ou quatro meses para aprender a dirigir, ninguém tem condições satisfatórias para tal. Parece que existe um incentivo das montadoras, a fim de desovar veículos no mercado facilitando a aquisição das carteiras de motorista.

Mandei meu ponto de vista para uma emissora de rádio que debatia o assunto, e recebi como resposta:

– “Você está coberto de razão, é isso mesmo, mas não podemos publicar a sua opinião pois eles, as empresas montadoras, são as nossos principais patrocinadoras da nossa programação”.

Um absurdo, isso é o que chamo de conivência com a tragédia por questões financeiras.

O taxista que eu havia citado anteriormente me disse mais:

– “Aquele Anel Rodoviário lá de Belo Horizonte eu conheço muito bem, ocorre que esse tanto de acidente que acontece lá é, na grande maioria das vezes, provocado pela incompetência dos motoristas que não sabem utilizar os freios de um caminhão, sobretudo quando estão carregados, pesados, e naquela descida brava vai ser desastre na certa. Essas áreas de escape que estão criando lá, é um paliativo muito perigoso pois o problema tá na capacidade dos condutores. Vira e mexe eles tentam criar novidades como faixas exclusivas para motocicletas e coisas afins, nada disso adianta se o condutor não estiver capacitado para romper viagem”.

Quando ele acabou de falar veio uma bela imagem de acordo com o seu pensamento:

“Não adianta construir uma estrada em ouro com acostamentos em prata e sinalização em diamantes se o condutor que vai deslizar sobre ela não tiver: consciência, capacidade técnica, malícia… aí os acidentes acontecerão em profusão”.

Recentemente o governo está tentando criar novas regras para tornar a aquisição da carteira a preços mais módicos, concordo; pois há muita exploração nesse meio. Lembro- me muito bem que quando eu estava para tirar a carteira, o emprego habilitado por mim exigia esse documento. Fiz todos os exames e estava treinando numa Auto Escola e com um certo prazo para fazer o exame e conseguir a carteira. Eu já dirigia na roça: Jipe veio, tipo cacha seca, Rural…, e as aulas eram prá corrigir certos vícios adquiridos.

Faltando uma semana para o prazo fatal, pedi pra o instrutor (?) da Auto Escola marcar o exame pois teria que apresentar esse documento, era imprescindível para a vaga a que eu estava habilitando. Ele me disse:

– “Você está dirigindo muito bem, mas já notei que você não presta muita atenção nos “predesti” que passam na rua”.

Falei:

– “O quê!?”

Ele repetiu, desci do carro, decepcionado e, principalmente, como estava sendo tratado o nosso vernáculo nesses ambientes.

Fui informado sobre um tal de Zé Baliza, e conforme me indicaram o procurei, diante da pressa para adquirir o documento. Ele pediu para eu dar uma volta no carro e, imediatamente, marcou o exame para o Sábado. Com o documento na mão, passei o fim de semana tranquilo, aguardando a Segunda Feira. Chegando à empresa, a primeira coisa que me pediram:

– “Favor colocar a carteira de motorista desse lado” – depois de ter preenchido várias fichas.

Quer dizer, cheguei a esfriar quando lembrava do instrutor dos “predesti”.

José Emílio é Engenheiro Sanitarista e Jornalista

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